Na última semana, algumas cidades brasileiras anunciaram que estudam a cobrança de uma taxa para turistas que chegam de carro. Entre elas, nomes conhecidos dos viajantes como Aparecida, Campos do Jordão e Ilhabela. A justificativa é clara: esses destinos recebem um grande fluxo de visitantes, o que pressiona a infraestrutura local e gera custos extras, principalmente na área ambiental.
Até aí, eu entendo o argumento. Mas como viajante — e como alguém que acompanha de perto os gastos de quem viaja — não consigo deixar de questionar: será que essa é mesmo a solução?
Na minha coluna passada, falei sobre o peso das passagens aéreas e o impacto que isso tem no planejamento de qualquer viagem. As diárias de hotéis também seguem em alta. E quando pensei que viajar de carro seria uma alternativa mais em conta, surge essa notícia desanimadora.

Minha doce ilusão era: “Ok, se for de carro, consigo opções em pousadas ou até no Airbnb, controlo melhor os custos.” Mas com mais uma taxa no caminho, o bolso do turista brasileiro fica ainda mais apertado.
O discurso oficial é que a arrecadação será destinada à preservação ambiental. Tomara! Mas, sendo realista, sabemos que nem sempre no Brasil o dinheiro arrecadado com taxas e impostos vai parar onde deveria. Enquanto isso, quem mantém a economia local girando — o próprio turista — acaba pagando a conta duas vezes.
Eu, por exemplo, que vou todo ano para Aparecida do Norte, já pago pedágio, gasto com alimentação, atrações turísticas e consumo no comércio local. Ainda terei que acrescentar mais uma taxa ao meu orçamento? Será que realmente esse dinheiro terá o destino certo?
Talvez uma saída mais justa fosse pensar em cobranças diferentes: quem sabe aplicar a taxa apenas para turistas internacionais, que têm um poder de compra diferente, e deixar o visitante brasileiro respirar um pouco.
No fim, sempre existe a possibilidade de explorarmos novos destinos e incentivar o turismo nacional em outras regiões — o que é ótimo. Mas não deixa de ser frustrante ver barreiras sendo criadas justamente em lugares que já vivem do turismo. Afinal, viajar no Brasil está cada vez mais caro, e o turista nacional não deveria ser tratado como um obstáculo, mas como um aliado da economia local.
Bom, de qualquer maneira nada disse está valendo na prática, mas vale como alerta e reflexão turística, social e econômica. Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau.
![]()
![]()





