Não, esse texto não é um desabafo dramático de quem passou ilesa pela pandemia e agora está lamentando por ter pego Covid só em 2025. É mais uma espécie de carta aberta — um relato íntimo sobre os cinco dias em que fiquei isolada, dentro do meu confortável quarto, e das reflexões que surgiram nesse tempo que virou quase uma “viagem interior”.
Sim, eu sei. Sou privilegiada — por estar bem, por ter um quarto aconchegante e por poder transformar até o imprevisto em texto. Por isso, não encare como uma lamentação. Pense como mais uma história que essa jornalista e criadora de conteúdo resolveu contar. Afinal, cada experiência tem seu valor — até mesmo as que a gente não escolhe viver.
Confesso que, nos primeiros dias, até me senti atraída pelo combo “café na cama + manhãs demoradas” com direito a maratona de séries e filmes. Geração X que sou, adoro uma TV! Resgatei clássicos de terror, romances açucarados e temporadas atrasadas. Mas a verdade é que os primeiros dias foram bem diferentes do que imaginei.
A dor no corpo, o mal-estar e o desconforto superaram qualquer ideia romântica de descanso forçado. Não era um domingo de preguiça. Era uma pausa obrigatória. Uma doença que, até então, eu só tinha visto da janela. Foram mais de mil dias de pandemia no Brasil — e ninguém da minha casa tinha testado positivo.
Então, me restou tomar os remédios, esperar e me revirar na, até então, tão desejada cama. Mas como tudo na vida passa, aproveitei esses dias também para refletir. Foi um retorno àquela sensação coletiva que tivemos lá atrás, em 2020: o desejo urgente de viajar, de viver, de não adiar.
Esse isolamento fora de hora reacendeu aquele sentimento latente de que a vida é curta. E que experiências não precisam ser grandiosas para marcar a gente. No final, o que sobrou disso tudo — além da dor no corpo de tanto ficar deitada (e uma baita saudade da dor de tanto andar e turistar por aí) — foi um aperto no peito. Não sei se é saudade das viagens que já fiz ou ansiedade pelas que ainda estão por vir.
Mas que bom que tudo passa. Tudo se renova. Então, vamos juntos? Porque agora estou mais do que pronta para experiências de verdade. Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau.
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