Viajar menos para o feed e mais para a vida

Entre algoritmos, expectativas e pesquisas de comportamento, uma pergunta surge: o que realmente significa viajar bem hoje?

Hoje acordei com vontade de fazer um desabafo.

Nos últimos meses eu me afastei um pouco da produção de conteúdo sobre viagens. E, para ser bem sincera, estou me sentindo bem. Sem pressão. Sem cobrança. Sem algoritmo.

Um leitor mais crítico poderia dizer que isso também significa se afastar da realização do sonho de se tornar uma influenciadora de viagens. Mas aí vem a pergunta que não saiu da minha cabeça hoje cedo: será que esse sonho chegou mesmo a acontecer?

Uma parceria aqui, um convite ali, um vídeo que viraliza… será que isso é realmente a realização de um sonho ou, muitas vezes, a construção de uma frustração?

Eu nunca tive dificuldade em tomar grandes decisões. Mudar de rota, recomeçar, voltar alguns passos. Por isso, não posso dizer que esse afastamento é definitivo. Talvez seja só uma pausa, talvez seja uma nova forma de olhar para as viagens.

E foi curioso acordar justamente hoje e me deparar com uma notícia que parece dialogar com esse momento.

Segundo o Traveller Value Index 2025, da Expedia Group, 88% das pessoas pretendem fazer ao menos uma viagem de lazer nos próximos 12 meses. Mas existe uma mudança importante no comportamento: 63% querem visitar destinos menos conhecidos, longe dos lugares superexpostos nas redes sociais.

Ou seja, muita gente também parece querer viajar mais… e postar menos.

A tendência aparece também no turismo de luxo. Um relatório global da consultoria Bain & Company, em parceria com a Altagamma, mostra que consumidores estão migrando do consumo de bens materiais para experiências — principalmente viagens e eventos exclusivos. O valor da viagem, cada vez mais, está na profundidade da experiência e não na exibição social.

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Talvez seja por isso que as viagens que nem sempre aparecem no feed estejam ganhando tanta força. Pequenas cidades, rotas culturais, lugares onde a experiência importa mais do que a foto perfeita.

E confesso: isso faz muito sentido para mim neste momento.

Para 2026, eu quero fazer uma viagem incrível. Mas sem roteiro de conteúdo, sem planejamento de posts, sem a obrigação de transformar cada momento em material para a internet.

Quero apenas viver o lugar.

Isso não significa abandonar completamente as redes sociais. Fotos, vídeos e stories sempre vão existir — afinal, compartilhar também faz parte da experiência de viajar.

Mas talvez com outro ritmo.

Porque, no fundo, viajar é exatamente isso: manter a mente aberta. Para o novo, para o antigo, para mudanças de rota. Às vezes é tempo de registrar tudo. Outras vezes é tempo de simplesmente viver.

E talvez, quando voltamos de uma viagem assim, a melhor parte nem esteja nas fotos do celular — mas nas histórias que contamos ao vivo, para poucos amigos, com aquele brilho nos olhos de quem realmente esteve lá.

E se você me encontrar em algum destino por aí, talvez eu esteja olhando a paisagem… e não a câmera do celular. Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau.

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