O outono chegou na Europa. É a minha estação favorita. Sou apaixonado pelas cores das folhas que se espalham pelos caminhos e pelos parques.
Gosto do sol que ainda brilha forte e contrasta com as temperaturas que começam a cair, ficando entre 5 e 10 graus. Pode parecer frio, mas tudo depende dos paradigmas e dos pontos de partida que cada um tem.
No outono, parece que os passarinhos cantam mais em harmonia, os esquilos saem com mais prazer das suas tocas — que serviram de abrigo durante o verão que parecia nunca ter fim —, e as crianças, assim como os adultos, começam a vestir gorros, cachecóis, luvas e jaquetas. A impressão que temos é que todos se tornam mais elegantes, e a cidade vira uma passarela interminável de desfiles, mesmo que os protagonistas do outono europeu nem se deem conta disso.
O outono nos ensina que o calor quase insuportável do verão europeu — e a agonia de ficar dentro de casa com o ar-condicionado ou ventiladores ligados — um dia termina. Ele também nos prepara para o inverno que virá. O outono é o instrumento que ajuda nossos corpos a se acostumarem com as temperaturas mais baixas que a próxima estação trará.
É um convite para celebrar o sol que ainda brilha, porque em breve tudo ficará muito escuro, como já acontece a partir das 18 horas.
A metáfora do outono europeu nos ensina como a vida é repleta de estações. Algumas parecem mais sufocantes, outras mais sombrias, geladas e assustadoras. Ainda assim, mesmo quando parece que as folhas jamais cairão, as cores trazem alívio, e o brilho natural do sol serve de medicina para o corpo e para a alma.
Vejo, às vezes, pessoas com quem eu e a Johnna conversamos que parecem nunca encontrar o “outono” da sua existência. Gente que se esconde na toca existencial, gente que vive a vida em uma única estação — contínua e interminável. Às vezes é o peso de uma traição, a perda de uma amizade de anos que, subitamente, já não existe mais. Às vezes é a espera por um trabalho digno, pela possibilidade de ser provedor da família. Eu poderia multiplicar os exemplos de pessoas que não conseguem perceber que cada estação tem a sua hora de chegar e a sua hora de partir.
Cada estação nos faz olhar para o passado com alívio e gratidão pelo que ficou, olhar para o futuro em preparação pelo que virá, mas, acima de tudo, nos convida a viver o presente. O passado é imutável, e o futuro pode apenas gerar uma ansiedade desnecessária que nos faz sofrer no presente por algo que nem sabemos se vai acontecer.
Não importa se você está na América do Norte, no Brasil, no Japão, na Tailândia ou no mesmo hemisfério que o meu, onde o outono é agora uma realidade no tempo e no espaço. Eu te convido a pensar na tua própria estação existencial, nesta reflexão singela que nos chama a abraçar a segunda-feira e dar boas-vindas a mais uma semana que acaba de nascer.
Até a próxima.
Do lindo outono europeu,
Fábio
Collonge-au-Mont-d’Or
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