Luís XIV — O Estado, os Espelhos e o Sol

Olá meus amigos,

Hoje, quero fazer da nossa coluna uma pausa para refletir sobre a história da França. Aliás, quanto mais eu leio e viajo, mais aprendo — e me encanto com os caminhos que a história traça até os nossos dias.

Pois bem, pouca gente na história recebeu tanto prestígio e poder quanto Luís XIV. Conhecido como o Rei Sol, ele foi um dos monarcas mais influentes e simbólicos da história da Europa.

E uma de suas marcas mais impressionantes foi o Palácio de Versalhes e, dentro dele, a deslumbrante Galeria dos Espelhos. Foi ali, nesse mesmo espaço repleto de luxo e grandeza, que séculos depois, em 28 de junho de 1919, foi assinado o Tratado de Versalhes, encerrando oficialmente a Primeira Guerra Mundial.

Quando estudei esse tratado na escola Santa Maria, no Pari, em São Paulo, jamais imaginei que um dia pisaria no exato local onde esse documento tão importante foi assinado.

Durante a minha visita ao palácio esta semana, fiz a pergunta inevitável:
Quantos espelhos existem na Galeria dos Espelhos?
A resposta? Acreditem se quiser: 357 espelhos!

E esses espelhos não estavam ali apenas para enfeitar. Cada um tinha um propósito claro: refletir a luz do sol, os candelabros, os dourados — e, acima de tudo, o próprio rei.
Você pode imaginar isso?

A idéia era simples e poderosa: multiplicar a imagem do rei, reforçando a visão de que ele era o centro de tudo — assim como o Sol, que na época era considerado o centro do universo.

Luís XIV não escondia esse simbolismo. Uma de suas frases mais conhecidas atravessou séculos: “L’État, c’est moi.” – “O Estado sou eu.”

Muitos se perguntam: será que Luís XIV era narcisista?
Alguns diriam que sim. Outros afirmam que todo esse luxo e teatralidade eram parte de uma estratégia política cuidadosamente construída.
De qualquer forma, o Rei Sol escolheu esse título porque acreditava — ou queria que todos acreditassem — que, assim como o sol está no centro do universo, ele estava no centro do reino, com todos girando ao seu redor.

Veja Também  Cosimo I e a pergunta que fica para nós: O que permanece depois do poder?

E mais ainda, Luís XIV se associava a Apolo, o deus grego do sol, das artes e da beleza. Essa conexão ampliava ainda mais a sua figura como alguém quase divino — luz, glória e espetáculo num só trono.

Luís XIV teve o reinado mais longo da história europeia: 72 anos.
Tornou-se rei com apenas 4 anos, mas só assumiu de fato aos 22.


Foi o grande responsável pela expansão e magnificência do Palácio de Versalhes, embora tenha herdado a estrutura inicial do pai, Luís XIII, que havia começado tudo ali em 1623. Versalhes não era apenas uma casa real. Era uma declaração de poder, uma vitrine de controle, beleza e centralização absoluta.
E até hoje, ao caminhar por seus salões — especialmente pela Galeria dos Espelhos — temos a estranha sensação de que a imagem do rei ainda está ali, refletida infinitamente, como ele desejava.

Hoje eu paro por aqui.
A história sempre nos ensina, nos instrui, nos enriquece… mas também nos provoca — lembrando que todo poder, toda glória e megalomania humana, todo império… um dia chega ao fim.

Até a próxima,
Fábio
Collonges-au-Mont-d’Or

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Respostas de 10

  1. Adoro historia! Visitei o Palacio, de fato e LINDO e luxuoso! Mas como vc disse, toda essa grandeza um dia chega ai fim.Obrigada pelo texto.

    1. Querida Loriete,
      Que jóia ler a tua mensagem. Fico feliz de saber que você teve a bela e inesquecível experiência de ter ido ao castelo em Paris. Exato. Toda grandeza e poder humano é efêmero e chega ao fim.
      No ano que vem estaremos nos Estados Unidos. Eu espero poder te ver.
      Um forte abraço. Boa semana!
      Fábio

  2. “Por isso, pela graça que me foi dada, digo a todos vocês: não pensem de vocês mesmos além do que devem pensar, mas pensem moderadamente, segundo a medida de fé que Deus deu a cada um.”
    Paulo aos ‭‭Romanos‬ ‭12‬:‭3‬ ‭NVI‬‬

    1. Armandão.
      Lindo versículo. Na semana passada, eu estava meditando nele.
      Obrigado por trazê-lo para o nosso diálogo e coluna desta semana.
      Um forte abraço. Ótima semana!
      Fábio

  3. Esse lugar é muito lindo, mesmo. Os espelhos e as histórias deles, ainda refletem os seus mitos na sociedade. Boa reflexão, amigo. Tudo passa e transmite lições poderosas e preciosas.

    1. Querida Elza,
      É sempre bom ver você por aqui e ler as tuas mensagens. Obrigado pelo carinho e pelo teu comentário.
      Você tem razão. Os espelhos são reflexos da nossa sociedade e a própria história de Luís XIV é a história de milhares de seres humanos na busca de validação. Muito obrigado. Até a próxima.
      Espero ver vocês em dezembro em São Paulo. Estaremos em contato.
      Fábio

  4. Oi Fábio, sou de Palmelo, Goiás, uma cidade conhecida por ser fundada em torno de um Centro Espírita, gostei de seu texto e por falar e trazer a tona a cultura por onde vais, Versailhes é magnífico, obrigado por oportunizar viajar através de suas postagens.

    1. Meu querido amigo Barsanulfo,
      Obrigado por estar conosco neste espaço. Obrigado pelo teu comentário.
      Você tem razão pois cada cultura carrega uma riqueza singular. Tem sido um privilégio poder escrever para o Portal do Andreoli e interagir com todos vocês. Um forte abraço. Até a próxima!
      Fábio

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