Luxemburgo: Entre estradas, memórias e caminhos invisíveis

Voltamos de Luxemburgo.

E foi muito mais do que uma viagem de cinco horas de carro de Lyon até essa cidade linda e charmosa.

Foi um reencontro com histórias.

Conversamos com amigos queridos, tivemos reuniões, revimos pessoas que fazem parte da nossa trajetória.
Como o Caio — alguém que eu vi sendo batizado na Igreja Presbiteriana do Brás quando eu tinha 10 anos… e ele era apenas um recém-nascido.

A vida tem dessas voltas silenciosas.

Há 18 anos, quando a Johnna morava em Waterloo e eu em Barcelona, fomos a Luxemburgo em uma das nossas viagens para nos encontrarmos e nos conhecermos melhor.

Foi na estação de trem que tiramos uma foto, à sombra.
Sem saber, aquela imagem se tornaria o nosso convite de noivado, mais tarde, em Barcelona. Depois disso, a vida nos levou longe.

Nos casamos em Chicago, moramos na Flórida, fomos ao Japão… até chegarmos aqui, em Lyon. E agora voltamos — mas já não somos os mesmos.

Voltar com a família nos fez pensar.

A vida não é uma corrida de 100 metros rasos.
A vida é uma maratona.

E mais do que isso:

A vida não é um reel de 30 segundos.

Ela não cabe em recortes rápidos, nem em momentos de impacto que desaparecem em poucas horas. A vida é construída com tijolos invisíveis, dia após dia.

Pequenos gestos.
Decisões discretas.
Conversas que ninguém vê.

Nada disso aparece nos algoritmos.
Mas tudo isso constrói quem nos tornamos.

Enquanto eu pensava nisso, a Johnna lia ao meu lado um texto em Atos dos Apóstolos capítulo 16. Ali, Paulo de Tarso tenta seguir um caminho… mas é impedido.

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Uma porta se fecha.

E quantas vezes isso nos desestabiliza?
Quantas vezes queremos respostas imediatas para portas que simplesmente não se abriram?

Mas o texto continua.

E mostra que aquele “não” não era o fim — era direção.

Paulo é conduzido à Macedônia.

E em Filipos, nesse lugar de transição, ele encontra Lídia de Tiatira.

Uma mulher comum.
Uma conversa simples.
Uma decisão silenciosa.

E algo começa.

Sem palco.
Sem anúncio.
Sem visibilidade.

Mais um daqueles tijolos invisíveis.

Mais um daqueles caminhos invisíveis.

E é aí que entendemos: Portas fechadas não são o fim da história.
São, muitas vezes, caminhos abertos que ainda não conseguimos ver.

Talvez por isso a vida não se explique no momento em que acontece. Ela só ganha sentido quando olhamos para trás.

Quando conseguimos enxergar os “sins”, os “nãos”, os desvios, os encontros…
e perceber que havia um fio invisível conduzindo tudo.

Hoje, olhando para a nossa própria história, eu percebo:

Não somos o centro de tudo. Mas somos profundamente cuidados.

E, pouco a pouco, vamos sendo transformados — em melhores pais, melhores cônjuges, melhores amigos…mais humanos.

A vida não é um reel de 30 segundos.

 

É uma construção paciente, feita de graça, de falhas, de recomeços…e de caminhos que só fazem sentido com o tempo.

Um grande abraço, e uma ótima semana!

Fábio

Collonges au Mont D’Or

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Uma resposta

  1. Lindo porder a família junto onde tudo começou. Que Deus continue abençoando a jornada de vocês e guiando cada passo do caminho em direção a ELE que é o alvo !

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