O Tempo, o Espaço e o Mistério da Sincronia: A Tapeçaria Invisível do Cotidiano

Créditos: Filosofares

Bom dia meus queridos amigos,

Você já se deu conta de que a vida nos surpreende com caminhos que, do ponto de vista humano, são quase impossíveis de explicar?

Por isso damos nomes diferentes ao que não conseguimos compreender: coincidência, casualidade… e então entramos pelo mundo da filosofia e da espiritualidade tentando encontrar uma razão lógica.

Pois bem, nesta semana fiquei diante de duas situações que me despertaram uma profunda gratidão. Ao mesmo tempo, eu e a Johnna começamos a rir juntos, porque certas experiências nos colocam num estado de encanto silencioso, aquele sorriso que não encontra palavras. Vou compartilhar uma delas.

Entre as centenas de mensagens no WhatsApp e os muitos e-mails que precisamos responder, havia um que eu pensei que a Johnna responderia — e ela pensou que eu responderia — já que compartilhamos a mesma conta. Quando percebi, o e-mail estava ali há pelo menos duas semanas, sem qualquer interação. Era apenas uma amiga dos Estados Unidos que queria nos apresentar um rapaz do Congo que está na França e viria a Lyon. Segundo ela, ele precisava muito conhecer os nossos projetos e conversar conosco, pois — em sua opinião — tínhamos muito em comum.

Finalmente, perguntei à Johnna se ela havia respondido e enviado as datas para receber o rapaz. Ela disse que não. Então comecei a conversar com ele. Quando mencionei isso à Johnna e mostrei a sua foto no WhatsApp, para a nossa surpresa, ela me disse que já o conhecia — a ele e à esposa. Eles se encontraram na Califórnia, porque ele também estava na graduação do doutorado na mesma escola. A Johnna ouviu Português e Francês: com a esposa dele conversou em Português e com ele conversou em Francês.

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Como explicar uma situação dessas? Como entender esse quebra-cabeça de tempo e espaço tão perfeitamente sincronizado?

A vida, muitas vezes, nos coloca na hora, no lugar, no instante, na conversa certa — aquela que constrói o inimaginável em termos de conexões e projetos, que só compreenderemos quando olharmos para trás. Pode ser um e-mail, uma carona, um encontro no aeroporto, uma conversa enquanto tomamos café com o amigo de um amigo. Tudo parece tão sem sentido… até que o extraordinário decide visitar aquilo que chamamos de ordinário.

Sou apaixonado pela frase de Søren Kierkegaard: “A vida só pode ser compreendida olhando para trás; mas deve ser vivida olhando para frente.”
O presente e o futuro ganham sentido quando percebemos a vida como a obra de um Tapeceiro: cheia de curvas, nós, linhas tortas. Do avesso, nada faz sentido — parece confuso, até feio. Mas o produto final é colorido, alinhado, inspirador.

Assim é a tapeçaria que o Tapeceiro lá do Alto está tecendo em cada um de nós. Ainda que agora pareça não haver resultado algum, ele virá. Sempre vem.

Boa semana a todos vocês!
Fábio
Lyon

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