Quando o Natal Se Torna Simples

Créditos: Rede Vitrine

O Natal se aproxima.

Na Europa, os mercados de Natal dão um charme muito especial às ruas que começam a ficar cobertas de neve. Em algumas lojas, já ouvimos as canções natalinas, e os cafés começam a ficar decorados com guirlandas, luzes e aromas que lembram a infância.

Eu mesmo já escrevi, há alguns anos, no Portal do Andreoli, uma série de textos sobre o Natal: seus significados, suas múltiplas interpretações, as questões históricas do nascimento de Jesus, as possíveis influências pagãs, a árvore de Natal, Santa Claus e muito mais. É só procurar no portal que você encontrará tudo isso.

Hoje, porém, quero escrever apenas sobre a simplicidade do encontro humano.

À medida que os anos passam, tudo vai ficando mais simples.

À medida que os anos passam, quando olhamos para trás e percebemos quanta energia foi gasta com discussões tolas, percebemos que o maior valor desta data está em algo muito essencial: ter um olhar sincero, oferecer companhia a um amigo, estar presente para quem se sente só, visitar alguém que não tem forças para sair de casa ou simplesmente enviar uma mensagem para alguém que está no hospital.

Do modo que não troco nada deste mundo por algo que vivi na semana passada. Acordei às seis da manhã, não vi as meninas, saí de casa cedo. A primeira reunião começou às oito horas, a última terminou às vinte e uma horas. Depois de mais de doze horas de trabalho, peguei a minha bicicleta e voltei para casa o mais rápido que pude, torcendo para que as minhas filhas ainda estivessem acordadas.

Quando abri a porta, a Júlia correu, pulou nos meus braços e disse:
“Papai, o Natal está chegando!”

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A Sophia já estava na cama, mas a Johnna disse:
“Pode ir, ela ainda não dormiu.”

Entrei devagar no quarto e consegui pelo menos dizer:
“Boa noite, filha, que Deus te abençoe.”

Quase não consegui ver o seu rostinho, apenas os seus cabelos sobre o travesseiro — porque, na Europa, o melhor a fazer nesta época do ano é se esconder debaixo de cobertas quentinhas, tomar um bom café e muito chocolate quente com chantilly.

Dito isso, quero te convidar — neste tempo que se aproxima do Natal — a olhar com mais carinho para quem está ao seu lado. A perceber o outro. Porque há muita gente que, neste período, em vez de sentir alegria, revive dores profundas. Enquanto alguns celebram encontros, outros sentem vontade de se isolar, pois carregam traumas inimagináveis associados a essa data.

Por isso, o meu convite para você neste natal, o meu convite para todos nós, é para exercer uma sensibilidade que nos conduz à fraternidade, à unidade, à amizade verdadeira e sem interesses.
Natal, antes de mais nada, é uma pausa para refletir sobre os nossos passos na jornada da existência. É perceber que cada dia pode ser Natal.
Cada dia pode ser uma oportunidade de encontro humano.
Cada dia pode ser um convite para abraçar e acolher — e também para ser abraçado e acolhido.

Que neste Natal o milagre não seja extraordinário, mas simples: reconhecer a humanidade do outro e a nossa própria. Porque quando isso acontece, mesmo em silêncio, o Natal já chegou.

Fábio

Collonges au Mont D’Or

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