Ser Ponte é o Nosso Chamado: A Missão que Começa à Porta de Casa

Bom dia meus amigos queridos!

O que podemos fazer para influenciar o nosso contexto quando abrimos a porta de casa e nos deparamos com pessoas buscando trabalho?
Gente com dificuldades no casamento?
Gente que se sente sozinha, mesmo estando cercada de pessoas?

Como podemos ser pontes entre grupos que pensam de forma diferente e que carregam os seus próprios traumas com a religião ou com abusos familiares?

Pois bem — o nosso contexto pode ser muito diferente do teu, mas, na realidade, a ação humanitária, a capacidade de praticar empatia, ouvir sem julgamento e buscar parcerias que possam ser recursos para ajudar famílias, imigrantes, refugiados, pessoas em situação de rua ou em busca de trabalho — tudo isso são maneiras de participar do processo sem sermos nós mesmos o fim nem a resposta para cada desafio social, emocional ou psicológico.

Dito isto, tivemos o privilégio de falar a um grupo que se reuniu em Paris.
Eram jovens de toda a Europa, e alguns cruzaram oceanos — vieram até da Índia — para participar de um encontro simples, com trocas de experiências e muita escuta, abordando temas como inclusão social, ajuda humanitária e espiritualidade.

A nossa contribuição foi compartilhar, em quatro oportunidades, sobre os múltiplos projetos que desenvolvemos em Lyon — envolvendo mais de 80 nacionalidades, em parceria com organizações não governamentais, igrejas, cafés, influenciadores nas redes sociais, e muitos voluntários que se colocam à disposição para unir forças e ajudar o próximo.

Aliás, acho extraordinário que, na tradição cristã, lemos que Jesus nos ensina a amar o próximo como amamos a Deus — e também a cuidar de nós mesmos, do nosso corpo e das nossas necessidades.
Da mesma forma que cuido de mim — para não adoecer, para não passar frio, para ter o que comer e colocar na mesa todos os dias — assim devo olhar para o meu próximo.

Veja Também  Fábio Muniz: Acordo, e tudo “dá errado”…

Esse é um princípio de espiritualidade presente não apenas nas tradições cristãs, mas também em tantas outras religiões do planeta.
Do ponto de vista cristão, acho fascinante o convite de Jesus para abrirmos os olhos — não apenas para dizer que amamos a Deus, frequentar o templo ou formar grupos que, muitas vezes, se fecham em si mesmos como guetos.
De nada adianta isso, pois o apóstolo João ecoa as palavras de Jesus: Se alguém diz amar a Deus, a quem não vê, mas não é capaz de amar o próximo, acolher o diferente, abraçar o caído, engana a si mesmo e essa espiritualidade é vazia.

Em nossos projetos — que compartilhamos em Paris — trabalhamos com ajuda a refugiados, o Café Cultural, ensino de idiomas (principalmente Francês), parcerias com agências locais que ajudam na criação de currículos e na busca por emprego, além de igrejas diversas que acolhem quem deseja participar de uma comunidade cristã.
Realizamos também retiros espirituais e conferências sobre história, arte, espiritualidade e história da igreja. No entanto, a pergunta que fica é a mesma que a Johnna fez há uns três anos, e que continua ecoando quando leio os seus textos e palestras sobre desenvolvimento social:

Você conhece o teu próximo?
Você conhece o teu vizinho?
Você dedica tempo e se interessa, de forma intencional, pelas necessidades de algum colega de trabalho?

Porque, se eu não conheço o meu próximo — aquele que está tão perto, mas é diferente de mim — como posso amá-lo?
Como posso praticar a escuta e a compaixão?

20

Se eu apenas me aproximo daqueles que são iguais a mim, falam a mesma língua, pensam da mesma forma, vêm da mesma cultura e têm a mesma fé — que proveito há nisso?

Veja Também  Entre Grutas e Montanhas: O Espírito Vivo dos Pobres de Lyon

O chamado que recebemos é ser pontes culturais — pessoas que aproximam, que pacificam, que reduzem conflitos.
Pois, como ensina Jesus, “bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”

Seja você enfermeiro, professor, engenheiro, estudante, contador, líder religioso, diretor de empresa ou funcionário, a convocação é a mesma: mudar o teu contexto — na família, no bairro ou na cidade — sendo uma ponte cultural.

Uma ótima semana a todos vocês.
Até a próxima!

Fábio

No trem, entre Paris e Lyon.

Loading

Respostas de 2

    1. Meu querido Vladmiro,
      Que alegria ver você neste espaço. Muito, muito obrigado pelo carinho.
      Muito, muito obrigado por estar aqui e deixar o teu comentário.
      Um forte abraço.
      Fábio

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Compartilhe esta notícia

Mais postagens