Bom dia meus amigos queridos,
No sábado da semana passada, quando entrei no meu voo de volta de Florença para Lyon, ouvi um bebê chorando, chorando muito alto. E, subitamente, ouvi o seu pai gritando ainda mais alto que o próprio choro: “STOP! STOOOP!”
Eu, que estava muito cansado da viagem, tomei um susto e pensei: “Isto não vai funcionar.”
STOPPP!!
Olho para o meu lado e havia uma senhora. Eu olhei para ela e perguntei:
— A senhora tem filhos?
Ela olhou para mim com um sorriso e respondeu:
— Tenho.
Então eu lhe disse, também sorrindo, numa espécie de cumplicidade silenciosa:
— Isto não vai funcionar.
Quis passar a mensagem de que aquele pai, provavelmente de primeira viagem em todos os sentidos — novato no papel de pai e, muito provavelmente, enfrentando o primeiro voo de seu bebê com a família — não tinha ainda a experiência necessária para entender uma das lições mais básicas da vida.
Ora, se eu, adulto, já estava cansadíssimo, sob a pressão do avião, com os ouvidos incomodados e com uma vontade enorme de sair dali, imagine um bebê?
Pois bem, Voltaire uma vez disse: “O senso comum não é tão comum assim.”
Na realidade, a vida não se vive apenas de teorias, mas de prática. A vida nos empurra para a universidade, mas é só quando começamos a trabalhar que aprendemos a lidar com gestão de negócios, enxugar custos, liderar uma equipe, discernir a hora de entrar e sair de uma reunião.
A gente namora, noiva e se casa. Mas, na verdade, jogo é jogo, treino é treino. O dia a dia do casamento é que nos ensina a ter paciência, a fazer concessões diárias, a construir uma vida comunicativa, saudável e compreensiva. A vida a dois não se faz por manuais, não é sustentada por um “amor hollywoodiano”, mas por uma decisão diária. Porque amar é, também, um sentimento a ser aprendido.
Dito isto, eu poderia multiplicar os exemplos. Você sabe disso. A gente vai envelhecendo, mas isso não significa sinônimo de maturidade ou sabedoria. Os anos passam, construímos amizades, encontramos alguém para compartilhar a vida, decidimos ter filhos, abrir negócios, nos lançar no empreendedorismo… mas isso não quer dizer que sabemos lidar com a avalanche que a vida prepara.
Ainda que seja apenas o choro de um bebê no avião, ao lado da esposa e no meio de centenas de pessoas, gritar e berrar com ele talvez não seja — nem a primeira, nem a última — estratégia eficaz para resolver o problema. O que provavelmente funciona é simplesmente não dizer nada e apenas abraçá-lo. Porque, conquanto chore, chore e chore… em algum momento se cansará e dormirá. Foi exatamente o que o pobre bebê fez.
Que Deus nos ajude a ter discernimento, sabedoria, paciência e, sobretudo, conquanto pareça ser simples e óbvio, ter o tal “senso comum” para enfrentar as múltiplas dificuldades que a vida, inevitavelmente, trará.
Ótima semana a todos vocês.
Fábio
Collonges au Mont D’Or
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Uma resposta
O desconhecido assusta, as vezes reagimos com pouca inteligência por medo, ou frustração. Muitas vezes ficar quietos e observar ajuda muito mais que reagir impulsivamente. É difícil e exige treino. Que Deus continue nos ajudando a sermos sábios.
Abração,
Elton