Como dizia Fiori Gigliotti, “Abrem se as cortinas e começa o espetáculo”, de uma época pura de emoção e futebol raiz, onde os torcedores chegavam de longe, com as suas famílias, e os filhos pequenos sobre seus ombros e a bandeira do clube na camiseta, eram por vezes carreatas que vinham colorindo a estrada e cantando e seus gritos de guerra e saudando seus heróis que eram idolatrados. Época onde as torcidas assistiam juntas aos grandes clássicos, e vibravam pelo talento e a tática de jogo mais pegado, acirrado, disputado com força mas lealdade. E toda a rixa era só no gramado e no gramado ficava.
Atletas com muita habilidade, como Pelé, Tostão, Oscar, Rivelino, Dudu e Ademir, Sócrates, Rai, Cafu, Silas, Gerson, Carlos Alberto Torres, Marinho, Zinho, Zico… eram respeitados e admirados até entre os adversários. Suas fotos nos álbuns de figurinhas eram as mais disputadas.

Hoje, ano de 2025, os fogos explodem no ar, para anunciar os ônibus de jogadores, os sinalizadores criam ruas de fogo, são drones, são celulares, são filmadoras, esperando o melhor ângulo e um close especial.
E na noite de quinta feira, última do mês de Outubro, noite das bruxas, o espetáculo dessa vez, era bem maior do que se possa imaginar, por que foi prometido um “momento histórico”, uma “noite mágica” e mesmo contrariando o tempo e os ponteiros do relógio,”90 minutos, um tempo muito longo”, que devia passar e causar um memorável momento no antigo Palestra Itália, palco de grandes duelos e jogos incríveis.
Podem dizer que o homem que prometeu tudo isso, o técnico português Abel Ferreira, estava movido de muita decepção, de uma surpresa que não desejava e disse tudo isso apenas algo para agradar a torcida, ainda de boca aberta. O jogo de ida, desse mata mata, foi desastroso e o técnico e o jogadores sem entender e sem reação. Uma resposta precisava ser dada, e rápido para não contagiar o ânimo dos jogadores além do necessário.
Uma semana se passou e o confronto precisava acontecer, valia muito, a decisão da Copa Libertadores.
O Flamengo já tinha escrito o próprio nome para a decisão, mas ninguém joga sozinho e confortavelmente esperava o resultado, da “briga” entre Palmeiras de Abel Ferreira e a LDU do Tiago Nunes.
Numa noite bastante fria e com a torcida calorosa, a história começou a ser escrita.


Foi uma partida de futebol com muita emoção e de encher os olhos de alegria, o estádio lotado, as ruas e vias de acesso do Allianz, a torcida entregava toda a sua esperança por um placar favorável, afinal antes de entrar em campo o Verdão, perdia por 3X0, e mesmo o torcedor mais otimista, não acreditava tanto assim na remontada.
E no final da noite, entre chuva, frio e muito choro, o Palmeiras ganha e nem vai para os pênaltis, decide durante a partida uma vitória maiúscula de 4×0.
E no Rio de Janeiro, a alegria de participar de uma final de Libertadores, de disputar também o Brasileirão, de um técnico jovem competente, experiente e de formação em suas bases e de nome respeitado inclusive no exterior, tudo seria muito bom.


No Rio, o Cristo Redentor clama, mas não está sendo o ouvido, os gritos de guerra, agora são de desespero e dor, as camisetas manchadas de sangue, e o confronto não é banal é fatal!
Seria bom, se pudéssemos falar de futebol, da magia e encantamento nos dribles e nos jovens que surgem, como joias, talentosos e ávidos por uma vida melhor.
Rio de Janeiro chora, na guerra que mata mais do que vidas, mata a esperança, destroça famílias, não deixa sonhar, nas suas ruas vizinhos, amigos, crianças, pais e mães buscam força onde não há.
O Futebol arte, alegre, com graça e muito talento já parou guerras pelo mundo, já arrecadou alimentos, já apoiou bandeiras, já conseguiu entre suas lendas Embaixadores e Pacificadores, já foi ouvido e se sentou à mesa com os grandes poderes e negociou caminhos e soluções para enormes conflitos.
Por que não pedir pela paz? Por que não mostrar sua força? Por que deixar que essa guerra toque em vidas inocentes?
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