Num tempo não tão passado, até o relógio andava mais devagar. O verão não era tão quente e janeiro era bem mais preguiçoso. A folhinha do Calendário, demorava a cair.
E assim hoje, já é fevereiro, de um janeiro bem apressado, as dívidas vieram rápido, e os jogadores que eram não são mais.
Os que foram nem aprenderam a falar russo e já estão de volta. O Paquetá, que estava lá, agora está aqui e jogou tudo para o alto, querendo a remissão e uma vida nova sem acusações.
Até o Ancelotti, caiu no samba, querendo aprender mais desse povo tão diferente.
Campeonatos Regionais e Brasileirão, não se confunda, tudo a toque de caixa, tudo junto e misturado.
Mas quem organizou tudo, garante que será fácil se adaptar, por que afinal tem 4 anos para dar certo.
E o que dizer da arbitragem? Muitas mudanças.
Esse é um caso bem sério, entre tentativas e erros, se espera a qualidade do apito dentro do campo, onde a subjetividade, precisa ser avaliada e compreendida e repetida diversas vezes, até virar padrão.
Voltam todos para a sala de aula, revendo lances, tirando dúvidas, treinamento no gramado, dia sim e outro também.
Conhecer a dinâmica de jogo e a intenção do jogador e de seu adversário. Foi falta? Intenção também é falta! Mas o pontapé impediu um lance promissor? Descobrir a verdade na ação dentro do campo e coibir o simulador.

Num tempo não tão passado, conhecer o hino do clube, a escalação de seu time, a posição dentro do campo, o nome do técnico e as capitais do Brasil, eram um teste perfeito para qualquer torcedor. Uma tarefa obrigatória.
Leão, Eurico, Luis Pereira, Dudu e Ademir….Palmeiras e o técnico Osvaldo Brandão. Decorado por gerações, quase um mantra. Não haviam erros.
Hoje, o tempo urge, e o jogador símbolo de um clube pode ser parte de um outro, da noite para o dia. O Alisson do São Paulo, preparou até a mala, foi visitar o Centro de Treinamento, mas não deu certo, não havia dinheiro em caixa.
O Veiga do Palmeiras, símbolo de dedicação e força, decisivo em lances memoráveis, agora construirá memórias em outras terras.
O Weverton do Palmeiras que foi para o Grêmio, sem muito alarde, e o Carlos Miguel que ainda tenta superar as comparações
O Mano Menezes que era do Corinthians e do Fluminense, e que já foi do Grêmio, agora será técnico da Seleção Peruana.
O Botafogo depois de um tempo de muito sucesso, com a Saf resgatou a glória do passado, mas nem tudo deu certo, recomeça com coragem a superar seus medos.
O Palmeiras mesmo com sua força máxima, não passou a confiança que precisa e Abel Ferreira vive o tormento de ser pressionado.
Tite técnico do Cruzeiro, não encontrou a rota certa e derrapa no gramado, sobre o olhar atento da torcida.


E a pressão continua, ano mais curto, dinheiro mais curto ainda, campeonatos que oferecem um respiro no orçamento, para alguns clubes, uma possibilidade de sobrevivência e para muitos um “enxugar gelo”.
Mundo louco e muito rápido esse do futebol.
E faço uma pausa respeitosa para recordar meu pai….
Nem sempre consigo me controlar quando lembro de ver meu pai pessoalmente, interessado, dedicado e como a vida de árbitro, o motivava, mesmo na fase bastante complicada de sua grave doença.
Assistia todos os jogos, no seu quarto, dava palpites, discutia com o narrador e com o comentarista e se colocava agora numa posição privilegiada, se assim é possível dizer, assistia à tudo com emoção à flor da pele, com opinião sincera de alguém que não usou nem tecnologia, nem VAR, para definir sua opinião, por que ele esteve naquele gramado e tantos outros pelo Brasil e pelo mundo, que o prepararam para ser um árbitro de futebol experiente, conhecedor das regras e respeitado até os dias de hoje.
Filho do caminhoneiro Antônio, e da costureira Nair, que fazia doces para ajudar na renda da família.
Dulcidio de nome difícil, que assim foi chamado em homenagem ao bombeiro que salvou seu pai, de um acidente na estrada, era promessa! E Wanderley nome de ator de Hollywood, que sua mãe fazia questão e o Boschilia que era complicado de soletrar. ..


O menino alemão de olhos claros, pernas finas e bem alto queria ser goleiro e tinha porte e pulava alto, com destreza e elasticidade….
Num dia de domingo, bem cedinho na várzea do Ipiranga, time do Anay…Alemão, o Dulcidio foi “descoberto” pelo José Poy, goleiro de imenso talento nascido em Rosário na Argentina, que amava o futebol e o Brasil, e aqui firmou uma carreira solida como grande especialista em treinar goleiros, do time do São Paulo Futebol Clube.
Muito obrigada aos leitores
E até a semana que vem!
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