O Futebol antes tão respeitado lá fora, dava sinais e demonstrações de boa administração, de um trabalho sincronizado, de pessoas competentes que estavam à frente de um esporte – rei, de uma arte inigualável.Mas a verdade sempre foi outra!
E não é preciso voltar muito no tempo, temos nos dias atuais, clubes de peso e tradição que lutam por sua sobrevivência, não só na disputa por títulos, ou possíveis rebaixamentos mas para evitar o fechamento de seus portões, a falência total.
Enquanto alguns clubes, negociam com habilidade e fazem investimentos outros se afundam, empurrando a desonra com a barriga e escrevendo o nome do Clube nas páginas policiais.
O futebol brasileiro sempre foi uma mistura de habilidade com a bola, talento individual de seus atletas e total descontrole.
Uma escola onde o improviso reina e o emocional decide o placar.
Estamos na reta final do Campeonato Brasileiro, e a Libertadores promete um desfecho digno de tragédia grega — ou de samba enredo. As arquibancadas pulsando, os técnicos gesticulando, e no meio de tudo isso, a alma do esporte tentando não se perder.
Em tempos de tanta tensão, fala-se pouco de psicologia, da importância da Psicologia do Esporte, no preparo das próximas gerações e reparando excessos das antigas que até então dominam, e se vê muito de temperamento.

Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira, veteranos de conquistas e polêmicas, representam uma geração que aprendeu a liderar no grito.
Na ira desmedida, na falsa defesa de sua classe, atacaram estrangeiros, esquecendo que eles, Emerson e Oswaldo, já foram forasteiros e estranhos em terras alheias e bem longínquas.
Suas atitudes recentes, ríspidas, preconceituosas e repletas de má vontade e inveja, parecem ecos de um futebol que já foi, mas que teima em não ir embora: Aquele em que a autoridade do treinador se media pelo volume da voz e pela bronca pública.
Mas o futebol mudou. E esses mesmos técnicos que gritam e se acham repletos de razão, perderam espaço, por suas negligências.
Atualmente os grandes técnicos são quase terapeutas e psicólogos e sabem que a cabeça pesa tanto quanto o tornozelo, e que um vestiário em conflito derruba mais rápido que uma defesa desatenta.
Klopp motiva pelo abraço, nos seus comandados. Guardiola vence pela inteligência emocional.
E Ancelotti conquista pela experiência e serenidade.


Curioso é que essa nova mentalidade não nasceu de um passe mágico. Ela é fruto de uma longa caminhada, que começou quando o Brasil ainda aprendia o próprio jogo.
Lá atrás, quando treinadores estrangeiros desembarcavam por aqui trazendo sotaques e métodos.
O técnico Filpo Núñez, argentino que dirigiu o Palmeiras nos anos 60 , abriu espaço para uma nova forma de perceber o futebol.
Bela Guttmann, húngaro que deixou marcas no São Paulo e Ramón Platero, uruguaio, que ensinou tática quando ainda jogávamos por instinto.
Depois vieram outros — Jorge Jesus, Abel Ferreira, Vojvoda — todos diferentes, todos acolhidos por um país que, apesar das rivalidades, sempre soube abrir suas portas para o talento estrangeiro.
Somos generosos no campo e fora dele: o Brasil é terra de acolhimento, onde o sotaque do treinador não importa se o futebol fluir, se encantar pelo toque, na habilidade do drible, na qualidade do passe, em valorizar o talento.


Também exportamos. Zagallo e Parreira já foram embaixadores de nossa bola. Felipão levou seu estilo aguerrido para Portugal e Chelsea. Tite agora tenta provar que a elegância tática também fala português.
Entre idas e vindas, o futebol brasileiro vai se construindo como um espelho da nossa própria psique: apaixonada, contraditória, emocional até o limite.
A reta final do Brasileirão e a decisão da Libertadores não são apenas batalhas de campo. São estudos de caso sobre o comportamento humano. Quem controla a mente, domina o jogo. Quem se perde no ego, naufraga.
E é por isso que, mais do que táticas, precisamos de serenidade. Que nossos técnicos aprendam que o grito nem sempre ensina — às vezes, só ensurdece.
E que o silêncio, o olhar atento, o diálogo, podem valer mais do que mil broncas.
Porque o futebol, no fundo, é uma arte que depende da alma.
E o melhor treinador é aquele que sabe que a vitória começa dentro da cabeça — e termina no coração.
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