A Arte de se Deixar Marcar: Existir é se Afetar

“Existir é se afetar”

A psicanálise nos mostra que viver não é passar ileso pela experiência. Pelo contrário: existir é se deixar marcar, ser atravessado por encontros, perdas, afetos e desejos. Somos, de certa forma, feitos das impressões que o mundo deixa em nós — e também daquilo que deixamos no mundo.

Quando dizemos que existir é se afetar, reconhecemos que não há neutralidade na vida psíquica. Cada palavra ou gesto recebido toca algo em nós, mesmo quando não percebemos de imediato. O afeto, nesse sentido, não é apenas emoção passageira, mas uma força que nos move, que dá forma às nossas escolhas, que pode tanto nos aprisionar quanto nos abrir a novos caminhos.

Na clínica psicanalítica, vemos como cada sujeito é atravessado por marcas singulares: uma lembrança de infância, uma ausência, um olhar de aprovação, um silêncio. Essas experiências não são apenas “coisas do passado” — elas continuam vivas, influenciando a forma como nos relacionamos com nós mesmos e com o Outro.

Afetar-se é também reconhecer nossa vulnerabilidade. Muitas vezes tentamos nos blindar contra a dor, mas é justamente na possibilidade de sentir que encontramos também a capacidade de amar, criar, desejar. O que nos afeta nos transforma — seja pela via do sofrimento, seja pela via da descoberta.

A psicanálise não propõe eliminar os afetos, mas escutá-los. Dar lugar ao que nos toca pode revelar um caminho de autoconhecimento: entender por que certas palavras nos ferem, por que certos encontros nos alegram, por que repetimos situações que parecem sempre nos conduzir ao mesmo impasse.

No fim, existir é aceitar essa condição de estar em relação constante — com o mundo, com o Outro e consigo mesmo. Afetar-se é prova de que estamos vivos, de que nada nos é indiferente. É nessa abertura que se dá a possibilidade de mudança, criação e transformação.

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Para continuar refletindo sobre o desejo e a subjetividade, acompanhe em: @psicanalistamanuela

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