Foram semanas de tensão e tristeza, de angústia, mas também de muita prece. Pedimos ao Papai do Céu aquilo que, do ponto de vista humano, seria uma recuperação relâmpago — algo que não garantia, de jeito nenhum, que após a retirada do gesso, a Sophia pudesse treinar ou competir.
Há um mês, o cotovelo dela ficou trincado ao ajudar um colega, ao bater com toda força em um metal enorme de um dos obstáculos que a equipe precisava superar no menor tempo possível. Tudo aconteceu durante uma festa de aniversário, com esses jogos de obstáculos que tanto animam as crianças. O inesperado aconteceu. Não havia nada que pudéssemos fazer. Passamos mais de seis horas na urgência, e o resultado foi inevitável: gesso no braço.

No ano passado, o diagnóstico da escoliose já havia imposto outro desafio: o colete que limita os seus movimentos todas as noites e fins de semana pelos próximos anos.
Nos perguntamos se ela deveria continuar com a ginástica, karatê e outros esportes. A natação, que sempre foi o seu porto seguro, permanecia como atividade física segura e completa. No karatê, pediram cautela; na ginástica, os médicos se dividiram.
Mas a Sophia nos pediu: “Quero ao menos competir, participar das provas que venho treinando nos últimos anos.”
Dissemos sim. Ela poderia participar antes da viagem à Chicago em Julho. Nenhum médico garantia nada, mas a decisão de deixar que ela tentasse foi tomada com fé, instinto e coragem.
Ao retirar o gesso, a surpresa: ela começou a treinar, com cuidado, sem dor. Movimentos leves, conscientes, mas precisos. Saltos, exercícios de solo, barra de equilíbrio — cada gesto exigindo atenção redobrada, pois o impacto se concentra nos braços e cotovelos.


Aliás, no dia que o gesso foi retirado. Pela manhã, os médicos disseram que não poderia competir. À tarde, disseram que podia. Confusão, dúvida, medo. Mas seguimos a coragem e o desejo da Sophia. Ela estava pronta.
O dia da competição chegou!
O frio ainda reinava, entre 2 e 8 graus. Eu vinha de um dia longo, de trabalho intenso desde as 6h30 até quase a meia-noite. No dia seguinte, acordei às 5h30 e levei a Sophia ao ginásio. Vi-a aquecer, respirar, concentrar-se. A determinação dela se fazia presente.


Ela começou. Saltos. Barra de equilíbrio. Solo. Incentivada por colegas, família e amigos, A Sophia brilhou.
E veio a surpresa extraordinária: medalha de ouro!
Parabéns, Sophia.
Parabéns! Pela coragem, pela determinação, por superar as evidências e enfrentar o impossível. Pela fé que transformou medo e dor em força.


A medalha de ouro classificou-a para o campeonato regional em Annecy, no dia 1º de abril. Que possamos, nesta semana, superar os nossos desafios, seguir com fé e esperança, mesmo quando o horizonte imediato parece sombrio.
Que a vida, com as suas imprevisibilidades, nos torne mais fortes e maduros.
Até a próxima,
Fábio
Collonges-au-Mont-d’Or
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