Manda Quem Pode, Obedece Quem Tem Juízo

Copa de 70 no México
O Futebol tem uma lógica muito própria por vezes  corre na velocidade da fibra óptica, dos algoritmos, das estatísticas em tempo real e das transmissões para bilhões de pessoas.
Em outras ocasiões, ele para diante de uma simples lembrança e nos obriga a revisitar um passado que insiste em permanecer vivo.
Nesta semana, o futebol resolveu caminhar por esses dois caminhos ao mesmo tempo.
De um lado, o planeta todo, para, senta, torce e admira seus ídolos na Abertura da Copa do Mundo, onde  certamente esse  evento reescreve a história, agora com certas particularidades.
Pela primeira vez, o Mundial será disputado de forma ampla por três países anfitriões: Estados Unidos, México e Canadá.
Torneio gigante, de tiro curto, apenas oito partidas, moderno, tecnológico, conectado por aviões, satélites, inteligência artificial e sistemas capazes de analisar até o menor movimento de um jogador.
Chamam à esse momento, de Futebol do Futuro!
Mas é fato que acontece agora, e cada vez mais um desafio pronto e preparado para se superar.
Mas justamente quando o futuro bate à porta, o passado resolveu chamar nossa atenção.
No mesmo período em que o mundo celebra a abertura de uma nova jornada rumo ao Mundial, o Brasil recebeu a notícia da despedida de um de seus campeões eternos: Brito.
E que curiosa coincidência o destino resolveu escrever.
Brito, um dos gigantes da inesquecível Seleção Tricampeã de 1970, parte justamente quando os holofotes voltam a se acender sobre uma Copa que tem o México novamente como protagonista.
Para quem gosta de futebol, coincidências assim parecem pequenos bilhetes enviados pela história.
O México não é apenas um dos anfitriões do próximo Mundial.
O México foi palco da mais encantadora seleção que o mundo todo e até muitos adversários já viram jogar.
Foi ali, em 1970, que o futebol brasileiro atingiu uma espécie de “Perfeição Artística”
Foi ali que a genialidade de Pelé encontrou parceiros igualmente extraordinários como Jairzinho, Tostão, Rivelino, Felix, Carlos Alberto Torres e tantos outros.
Carlos Alberto Torres
E entre os “bravos”, os “guerreiros” o genial Brito.
Uma peça fundamental que ajudou a construir uma  Epopeia.
Sua despedida muito sentida, nos lembra que o tempo passa para todos, inclusive para os heróis.
E isso me faz lembrar de uma história que surge como quase uma lenda…
Conta-se que uma guerra civil na Nigéria foi temporariamente interrompida para que as pessoas pudessem assistir a uma exibição de Pelé.
E isso incluía cidadãos, estrangeiros, curiosos, admiradores, adversários, todos que se curvavam ao talento e a importância do Futebol Brasileiro.
Os historiadores discutem detalhes e circunstâncias do episódio, mas o que permanece incontestável é o simbolismo da história.
Mateus Cunha
Então, um símbolo bastante significativo nesse período de guerra entre países visitantes e os E.U.A., que assistimos ou ouvimos falar das diferenças e estranhamento.
Alguns critérios de boicote e de represália são confusos, mas como se dizia antigamente…”Manda quem pode, obedece quem tem juízo”.
Pedimos para manter a paz, uma trégua e a diplomacia em nome do esporte.
Afinal o Futebol possui a capacidade de Unir.
É capaz de fazer adversários esquecerem, por algumas horas, suas diferenças.
E que bom que o gol pode ser celebrado em dezenas de idiomas.
Onde uma defesa mirabolante e espetacular continua arrancando aplausos em qualquer continente.
Uma criança continua sonhando da mesma forma em São Paulo, em Montreal, na Cidade do México ou em qualquer canto do planeta.
E para ficar melhor esse nosso assunto, nada como comentar o Santo Antônio, milagreiro!
Onde os apaixonados trocam juras.
Os solteiros fazem pedidos.
Os esperançosos renovam a fé, em milhares de promessas.
E os desesperados de bom humor, pedem agilidade nos resultados. (Eu por exemplo…rssss)
Existe algo de semelhante, entre os treinadores e o querido Santo Antônio, por que sofrem pressão o todo todo, são cobrados para obter resultados e ouvem promessas à toda hora…
E nas mãos de  Carlo Ancellotti, passa muito desse desejo de milhares de torcedores que sonham com a Copa do Mundo.
Carlo Ancellotti
Quem sabe reeditar o México,
Viajar do Brasil, para o pais sede da Copa um tanto desacreditado, e se superar
Vencer os desafios que fizeram toda a logística de preparação ser tão confusa e repleta de indecisões.
Onde o Futebol brasileiro atravessa desafios.
Existem críticas.
Moram dúvidas.
Sobram questionamentos.
Insistem em comparações inevitáveis com os gigantes do passado….
Mas nenhuma camisa conquistou Cinco Títulos Mundiais por acaso.
Nenhuma seleção acumulou tantas histórias apenas pela força da tradição.
As novas gerações carregam uma responsabilidade enorme, mas também uma oportunidade extraordinária.
A oportunidade de escrever seu próprio capítulo.
O Futebol mudou.
Ficou mais rápido.
Mais físico.
Mais estratégico.
Mais tecnológico.
Mas continua dependendo daquilo que nunca apareceu em nenhuma planilha.
Coragem.
Talento.
Inspiração.
E sonho.
Por isso, entre a saudade de Brito, as lembranças eternas do México de 1970, os desafios de um Mundial que atravessa fronteiras, as preocupações de um mundo ainda marcado por conflitos e a esperança dos corações que recorrem a Santo Antônio neste Dia dos Namorados, talvez o futebol esteja nos oferecendo uma bela lição.
A vida segue em frente.
Os ídolos não serão esquecidos.
Novos ídolos surgem.
As Copas terminam.
Os calendários mudam.
As gerações se renovam.
Mas a capacidade de acreditar continua sendo nosso campeonato mais importante.
E se existe algo que o torcedor brasileiro aprendeu ao longo das décadas é que, enquanto houver uma bola rolando e um sonho vestindo amarelo, jamais faltará motivo para olhar para o horizonte e acreditar que o melhor jogo ainda está por vir.
O futebol muda seus uniformes, suas regras e sua velocidade. Mas continua sobrevivendo da mesma força que move os apaixonados: a teimosa e maravilhosa capacidade de acreditar.”

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