A Copa Sempre Encontra um Jeito

Quem criticou? Eu!
Certamente cada um de nós, amantes do futebol arte, criticamos os jogadores, o técnico importado, o uniforme que não era vistoso, até o avião que custou a dívida externa.
Mas a Copa do Mundo tem seus milagres e o nosso povo brasileiro é curioso.
Jura que aprendeu a não sofrer, promete que não vai mais criar expectativas, repete durante quatro anos que o futebol perdeu a graça, que os jogadores mudaram, que o encanto acabou, que a Seleção já não representa como antes, toda a maravilhosa história!
Mas chega a Copa do Mundo…
E toda essa convicção desaba diante de uma simples bola rolando sobre a grama.
É quase um milagre.


A Seleção Brasileira embarcou para esta Copa sem o peso das grandes favoritas. Durante muito tempo pareceu uma equipe perdida entre experiências, dúvidas, críticas e mudanças. Faltou continuidade. Faltou estabilidade. Em determinados momentos faltou até quem conduzisse o projeto. Houve períodos sem treinador definitivo, sem identidade e sem aquela confiança que sempre acompanhou a camisa mais vitoriosa da história.
Parecia uma viagem comum.
Como quem prepara uma pequena mochila para um passeio de fim de semana.
Pouca bagagem.
Poucas expectativas.


Muitas justificativas já ensaiadas para uma eliminação precoce.
O discurso parecia pronto antes mesmo do primeiro apito.
“Estamos em reconstrução.”
“É um trabalho para o próximo ciclo.”
“Precisamos ter paciência.”
Talvez fosse verdade.
Talvez não.
Mas existe uma força que jamais aceitou explicações lógicas.
Essa força chama-se Copa do Mundo.
Ela transforma desconhecidos em heróis.
Ela faz crianças chorarem de alegria.
Ela interrompe reuniões, muda horários de trabalho, silencia avenidas inteiras e faz milhões de pessoas respirarem no mesmo ritmo durante noventa minutos.
A Copa não pergunta quem era favorito na semana anterior.
Ela simplesmente começa.
E, quando começa, tudo muda.
O futebol tem uma estranha capacidade de desafiar especialistas.
Os números apontam um caminho.

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As estatísticas sugerem outro.
As casas de apostas desenham seus favoritos.
Então a bola resolve escrever sua própria história.
Foi assim inúmeras vezes.
A improvável Croácia encantou o mundo chegando a decisões.
A valente Marrocos derrubou gigantes e mostrou que a coragem também se treina.
A disciplinada Japão ensinou que organização pode enfrentar qualquer tradição.
A determinada Costa Rica já surpreendeu um grupo considerado impossível.
A Copa nunca respeitou completamente os roteiros.
Talvez por isso seja tão fascinante.
Agora, o Brasil está novamente diante do mata-mata.
Curioso como duas palavras conseguem alterar completamente o humor de uma nação.
Mata-mata.
Já não importa mais a campanha anterior.
Já não importa o futebol bonito ou feio.
Já não interessa quem foi brilhante na fase de grupos.
Agora é sobreviver.
É competir.
É resistir.
É acreditar.
E acreditar talvez seja a maior especialidade do povo brasileiro.
Vivemos tempos difíceis.
São desafios econômicos.
Discussões políticas intermináveis.
Famílias divididas por opiniões.
Incertezas que parecem ocupar espaço demais no cotidiano.
Mas a Copa possui um dom raro.


Durante algumas semanas ela devolve um idioma comum.
Na padaria, todos conversam.
No ônibus, todos opinam.
No elevador, desconhecidos trocam escalações.
No trabalho, o café dura alguns minutos a mais porque alguém resolveu discutir quem deveria jogar na ponta esquerda.
O país inteiro encontra um assunto que não exige concordância absoluta para produzir sorrisos.
É um intervalo da realidade.
Não porque os problemas desapareçam.
Eles continuam lá.
Mas porque, por alguns instantes, lembramos que também sabemos celebrar juntos.
Então, vamos celebrar…e como dizem por aí….um momento de cada vez…e guardar tudo na memória para o nosso futuro e de nossas próximas gerações!
Quando nossos filhos e netos pedirem uma história bem legal….você possa dizer…Senta aí. ..que lá vem história e da boa!

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