MÃE DEMITIDA APÓS APRESENTAR LAUDO DE AUTISMO DO FILHO SERÁ INDENIZADA

MÃE DEMITIDA APÓS APRESENTAR LAUDO DE AUTISMO DO FILHO SERÁ INDENIZADA

Cuidar de um filho com autismo exige presença, organização e uma rotina que muitas empresas ainda insistem em ignorar.

Segundo notícia publicada pelo Migalhas, o TST manteve a condenação de uma empresa ao pagamento de indenização por danos morais a uma trabalhadora que foi dispensada após apresentar o laudo de autismo do filho. A criança recebeu o diagnóstico em 22 de janeiro de 2024, o laudo foi entregue à empresa no dia 29 e, no dia 31, depois de a mãe chegar atrasada e apresentar declaração de comparecimento em consulta médica do filho, ela foi demitida.

O caso é muito sério.

A empresa chegou a afirmar que a trabalhadora foi dispensada porque “estava atrapalhando a equipe” e que suas ausências geravam sobrecarga aos colegas. Para o Tribunal Regional do Trabalho, a situação caracterizou abuso do poder empregatício.

Vamos falar a verdade?

A rotina de uma família que acompanha uma pessoa com TEA não cabe perfeitamente dentro de uma planilha corporativa.

Há consultas médicas, terapias, avaliações, reuniões escolares, crises, adaptações, laudos, relatórios e uma infinidade de demandas que não desaparecem porque a mãe tem horário para bater ponto.

Isso não significa que a mãe não queira trabalhar.
Não significa falta de responsabilidade.
Não significa desinteresse profissional.

Significa apenas que existe uma criança com deficiência que precisa de cuidado.

E cuidado não pode ser tratado como defeito da trabalhadora.

Muitas mães de pessoas com autismo vivem exatamente esse medo: medo de informar o diagnóstico, medo de pedir autorização para acompanhar o filho em consulta, medo de entregar uma declaração médica, medo de serem vistas como problema dentro da empresa.

Isso precisa ser dito com clareza: nenhuma mãe deve ser discriminada porque seu filho tem autismo.

A inclusão não pode existir apenas no marketing das empresas, nas campanhas bonitas de diversidade ou nos posts de datas comemorativas. Inclusão de verdade aparece quando a instituição precisa lidar com a realidade concreta das pessoas.

E a realidade concreta é que muitas famílias de pessoas com TEA precisam de alguma flexibilidade, respeito e humanidade.

Não estou dizendo que toda situação trabalhista será automaticamente discriminatória. Cada caso precisa ser analisado com cuidado. Mas quando a demissão acontece logo após a apresentação de um laudo, de uma declaração médica ou de uma demanda relacionada ao filho com deficiência, é preciso acender um alerta.

Não aceite constrangimentos como se fossem normais.

A pessoa com autismo tem direito ao tratamento, ao acompanhamento e à proteção integral. E a família que garante esse cuidado também deve ser respeitada.

Todas as pessoas com autismo devem ter seus direitos respeitados. E suas famílias também.

Lembre-se de que aqui é um lugar para você se sentir acolhida. Me escreva sobre suas dúvidas ou compartilhe algum desafio se desejar. Será uma honra conhecer você melhor!

Um beijo e até o próximo sábado.

Juçara Baleki

Veja meu Instagram para mais informações: @querotratamento

Fontes:

https://www.migalhas.com.br/quentes/458820/empresa-indenizara-mae-demitida-apos-dar-laudo-de-autismo-do-filho

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Juçara Baleki

Juçara Baleki

Advogada especializada em Direito à Saúde e Direitos das Pessoas com Autismo, palestrante, docente e mãe de um adolescente com Transtorno do Espectro do Autismo.
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