SP AVANÇA NA INCLUSÃO COM LEI QUE REDUZ BARREIRAS SENSORIAIS EM SHOPPINGS

SP AVANÇA NA INCLUSÃO COM LEI QUE REDUZ BARREIRAS SENSORIAIS EM SHOPPINGS

Novidade boa para os moradores do Estado de São Paulo! No dia 2 de abril de 2026, foi regulamentada a lei que obriga shopping centers com circulação diária superior a 2 mil pessoas a instalarem salas de regulação sensorial (decreto nº 70.501, que regulamenta a Lei nº 18.183, de 21 de agosto de 2025).

E isso importa porque, durante muito tempo, o Estado não via um tipo de obstáculo que pesa demais na vida das Pessoas com TEA: a barreira sensorial.

Quando falamos em barreiras à inclusão, muita gente ainda pensa apenas em degraus, portas estreitas ou falta de rampas. Mas as barreiras não são apenas físicas.

Também são barreiras o excesso de luz, o barulho alto, a confusão visual e até a ausência de um espaço seguro para reorganização.

Tudo isso pode afastar, desgastar e excluir a pessoa com TEA de um espaço que, em tese, deveria estar aberto a todos.

E isso não é uma percepção subjetiva das famílias.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que no Brasil tem força constitucional, trouxe uma mudança profunda na forma de entender a deficiência. Ela nos mostrou que a deficiência não está apenas na pessoa, como se fosse um problema individual a ser suportado em silêncio.

Muitas vezes, o que realmente impede sua participação plena na sociedade são as barreiras criadas pelo ambiente e pela falta de adaptação dos espaços.

Foi essa mudança de olhar que tirou o foco exclusivo do diagnóstico e colocou luz sobre a responsabilidade da própria sociedade.

No artigo 9º, ao tratar da acessibilidade, a Convenção deixa claro que o Estado deve garantir às pessoas com deficiência, em igualdade de oportunidades, acesso aos espaços, serviços, informação, comunicação e demais ambientes de uso público, justamente para que possam viver com autonomia e participar plenamente da vida em sociedade.

Quando trazemos isso para a realidade das Pessoas com TEA, a conclusão é muito clara: um shopping pode ser aberto ao público, mas continuar sendo excludente se ignora barreiras sensoriais relevantes.

Se o ambiente impõe estímulos excessivos e não oferece qualquer alternativa de acolhimento, ele dificulta a permanência, restringe a participação e compromete o exercício de direitos em igualdade de condições. Isso é exatamente o que a lógica da Convenção manda enfrentar.

A própria Lei Brasileira de Inclusão desenvolve esse raciocínio ao definir barreira como qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa com deficiência e o exercício de seus direitos.

Portanto, falar em retirar as barreiras sensoriais não é exagero. Estamos falando de acessibilidade. Falamos de dignidade e da importância de criar condições reais para permanência das pessoas com autismo em um espaço público.

Porque inclusão de verdade não acontece quando a pessoa apenas consegue entrar, mas quando ela consegue ficar, participar, circular e ser respeitada naquele ambiente.

Essa é a diferença. É necessário derrubar as barreiras e garantir pertencimento.

As famílias que vivem a rotina do autismo sabem que, muitas vezes, o passeio não termina por falta de vontade. Termina porque o ambiente se torna insuportável.

E o que deveria ser lazer vira estresse, exaustão e frustração para toda a família.

Por isso, vejo essa regulamentação como um avanço importante.

Não porque resolva tudo. Mas porque reconhece algo que sempre esteve ali: há barreiras invisíveis expulsando muitas Pessoas com TEA dos espaços de convivência.

E toda vez que uma barreira é removida, a inclusão deixa de ser promessa e começa a acontecer na prática.

Agora, claro, será preciso acompanhar a implementação e fazer cumprir, mas lembrando que os estabelecimentos terão 180 dias para se adequar.

Mas o caminho é esse...

Os direitos das Pessoas com TEA precisam ser respeitados em todos os espaços.

Você está chegando agora nesse tema, saiba: aqui é um espaço para você se sentir acolhida. Se quiser, me escreva, conte suas dúvidas ou relate alguma situação que esteja vivendo com uma pessoa com TEA adulta ou idosa – ou com você mesma.

Um beijo e até a próxima quarta-feira,
Juçara Baleki

Me siga no Instagram para conhecer outros direitos:@querotratamento

Fonte: https://www.agenciasp.sp.gov.br/governo-de-sp-regulamenta-lei-e-torna-obrigatorias-salas-de-regulacao-sensorial-em-shoppings/

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Juçara Baleki

Juçara Baleki

Advogada especializada em Direito à Saúde e Direitos das Pessoas com Autismo, palestrante, docente e mãe de um adolescente com Transtorno do Espectro do Autismo.
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