Outro dia recebi um release falando sobre staycation, aquela ideia de viver a própria cidade como se estivesse viajando. Hotéis, spas, restaurantes, experiências culturais, pausas na rotina sem precisar pegar estrada ou entrar em um avião. Um movimento que cresce cada vez mais e faz sentido em tempos em que descanso virou artigo de luxo.
Mas, enquanto lia o texto, uma coisa me incomodou.
Entre os perfis citados estavam casais, famílias, grupos de amigos e profissionais em trabalho híbrido. E eu fiquei pensando: por que mulheres sozinhas quase nunca aparecem nesse tipo de campanha?
Mesmo sendo solteiras, casadas, com filhos, não importa.
Esses dias, conversando com uma amiga casada e mãe, ela comentou, quase com orgulho, que saiu sozinha para curtir a cidade. Foi tomar um café, andar sem pressa, relaxar um pouco longe da rotina da família. E o mais curioso é que ela falava sobre isso como uma pequena conquista.
E talvez seja mesmo.
Porque ainda existe um certo estranhamento quando uma mulher ocupa espaços sozinha simplesmente porque quer.
Percebi isso em mim recentemente. Fui assistir ao filme O Diabo Veste Prada 2 e sentei ao lado de uma mulher que estava sozinha. Automaticamente perguntei: “você está esperando alguém?”. Só depois percebi o quanto aquilo era estranho. Eu tinha comprado meu ingresso. O lugar era meu.
E mesmo assim meu primeiro pensamento foi imaginar que ela aguardava companhia.
É automático. A gente aprende sem perceber.

Mulheres sozinhas ainda parecem precisar de justificativa. Como se fosse necessário explicar por que estão em um bar, em uma exposição, em um hotel, em um restaurante ou simplesmente caminhando pela cidade sem companhia.
Mas estar sozinha nem sempre significa solidão. Às vezes significa presença.
Presença em si mesma, no próprio tempo, nos próprios desejos.
E talvez seja justamente isso que tenha me feito pensar tanto nesse assunto ultimamente. Sem perceber, estou organizando meu próximo aniversário desse jeito. Quero passar um tempo comigo. Fazer uma massagem, tomar um café sem olhar o relógio, caminhar pela cidade, entrar em lugares que gosto, observar São Paulo acontecendo.
Mesmo sendo um dia de comemoração. Ou talvez justamente por isso.
Porque comecei a perceber que a cidade também pode ser nossa companhia.
Não apenas em encontros românticos, programas em família ou viagens compartilhadas, mas também nesses momentos silenciosos em que escolhemos ocupar espaços sozinhas sem culpa, sem pressa e sem precisar explicar nada para ninguém.
No fim, o staycation fala muito sobre desacelerar. Mas, para muitas mulheres, existe também outra descoberta importante nisso tudo: entender que elas podem viver experiências sozinhas simplesmente porque têm vontade.
E isso também deveria ser visto como uma forma legítima de aproveitar a cidade.
Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau: provavelmente tomando um café sozinha em algum canto de São Paulo e achando isso cada vez mais normal.
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