Check-in da Lau: por que descansar ainda parece errado?

Feriado, folga depois de trabalhar no anterior (de Carnaval!), e uma dúvida que parecia simples, mas não era: sair de casa ou finalmente descansar?

Trabalhando de casa, eu sei o quanto mudar de ambiente faz diferença. Ajuda a sair do automático, muda o ritmo, até o humor. Mas também existe um cansaço silencioso que pede exatamente o contrário. Ficar, desacelerar, não fazer nada com objetivo.

O problema é que descansar nem sempre vem sozinho. Às vezes, ele vem acompanhado de um incômodo difícil de explicar. Uma sensação de que eu poderia estar fazendo algo melhor, aproveitando mais, sendo mais produtiva. Como se até o descanso precisasse ser justificado.

A gente fala muito sobre equilíbrio, mas na prática ele não é tão estável assim. Ele oscila. Entre o que a gente precisa, o que a rotina impõe e o que parece mais certo fazer naquele momento.

Nesse feriado, tentei fazer diferente. Um dia resolvendo coisas na rua, outro organizando a casa, e no meio disso um plano simples que não aconteceu. A ideia era comprar um livro e ir para o parque ler. Não encontrei nada dentro do orçamento que tinha imaginado e, no fim, o plano não saiu como pensei.

Por muito tempo, isso teria sido frustrante. Como se algo pequeno não dar certo invalidasse o resto. Mas, dessa vez, não foi assim. Eu percebi que não era sobre o livro, nem sobre o parque. Era sobre a expectativa de que até o descanso precisa acontecer do jeito certo.

E talvez seja justamente aí que mora a dificuldade. Não em escolher entre sair ou ficar, mas em aceitar que descansar também pode ser suficiente. Sem culpa, sem a sensação de que eu deveria estar em outro lugar, fazendo outra coisa.

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No meio disso, ficou uma lição prática. Se for à livraria com um objetivo, melhor levar uma lista. Nem sempre o livro vai te escolher. E se a ideia for ler no parque, talvez o mais simples seja já sair de casa com um livro em mãos.

Pode parecer pouco, mas não é. Porque, no fundo, a gente associa viver experiências a sair da rotina de forma grandiosa, quase sempre ligada a uma viagem. Como se fosse preciso um destino para que algo realmente valha a pena.

Mas esse feriado me fez pensar diferente. Talvez mudar o ritmo já seja, por si só, uma forma de sair do automático. Mesmo que seja perto de casa. Mesmo que não saia exatamente como planejado.

No fim, talvez a pergunta nunca tenha sido se eu deveria sair ou descansar. Mas se eu consigo transformar esse tempo em algo que faça sentido de verdade.

Porque é isso que eu busco quando viajo. E talvez eu não precise ir tão longe para encontrar. Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau, com menos culpa de não fazer nada.

 

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