Professor. Mestre. Adivinho. Pacificador. Relações Públicas. Poliglota. Conselheiro. Psicólogo. Visionário. Doutrinador. Padre. Sacristão ….e Técnico de Futebol, com diversas variações táticas e com agilidade em fazer as malas.
Talvez sejam essas algumas das qualificações exigidas hoje, para um técnico de futebol brasileiro, que deseje, comandar um grande clube e não tema a concorrência dentro e fora dos gramados.
Não muito tempo atrás, para ser técnico de futebol, não se exigia muito, o necessário para saber realmente do campo e bola e uma qualidade própria, administrar egos.
Mais um técnico sai a toque de caixa, por que o ritmo é frenético e a cada dois dias, temos jogos, campeonatos, clássicos que rendem a fama e a glória e ajudam a pagar a folha de salários.
Sem contar as contusões, as baixas no elenco, as administrações desastrosas, as mudanças de rumo, em pleno ano de Copa do Mundo.
Feliz foi aquele que disse – “O melhor da festa é esperar por ela”, sim, por que estar nesse redemoinho insano e cuidar de tudo e blindar os jogadores é para poucos.
Muita correria e muita pressão, que atinge todo mundo. Além da cobrança das torcidas.

A figura paternalista e conservadora do técnico de antigamente, se perdeu no tempo.
Tecnicos exigentes mas humanos, perfeccionistas como Tele Santana, Osvaldo Brandão, Zagalo, Parreira, Dunga, Muricy Ramalho, e muitos mais, são exemplos raros que correspondem à outros tempos, onde chegar cedo no treino e ser o último a sair, repetir jogadas até exaustão, e se tornar gravada na mente, um cuidado que não se percebe hoje.
Mas dizem por aí que o futebol brasileiro é um estado de espirito.
Uma espécie de fé pagã onde a bola é uma divindade redonda, obediente aos pés de certos iluminados, que não correm: deslizam.
Num passado não tão distante o camisa 10 recebia de costas, levantava a cabeça como quem olha o horizonte e decidia o destino de vinte e dois homens.
Hoje, se ele levanta a cabeça, já perdeu a bola.
O futebol virou uma urgência.
Uma correria febril, como se alguém tivesse esquecido o gás aberto dentro do jogo. Tudo precisa acontecer em segundos, o passe, o chute, a substituição, a demissão.
E treinador, coitado, já entra no clube com o aviso prévio no bolso, mesmo que levante Taças e ofereça Goleadas Inesquecíveis.


O jogador de antigamente era habilidoso, distribuía a bola, armava a jogada de bate pronto, driblava, “costurava”, e seu passe certeiro tinha um toque genial, uma pintura, uma bola pronta para morrer nas redes e liberar o grito na garganta.
Hoje, esse jogador seria chamado de “lento”.
A arte deu lugar a correria, o fino trato da bola, uma impaciência que não tem espaço, por que tudo é para ontem, e os jogadores com seus altos salários, enxergam como profissão, como trampolim para a fama, como um contrato assinado repleto de cláusulas, sem mais a paixão ao manto, sem o brilho no olhar, sem armazenar recordações no coração
Fala-se mais em “transição”, “compactação”, “linha alta”, “recomposição” palavras que parecem saídas de uma reunião de engenharia.
O campo virou um quadro tático, e o jogador, uma peça obediente.


Não existe projeto a ser construído em longo prazo, mas patrocinadores, anunciantes, dirigentes, imprensa, empresários, funcionários de clubes, e um exército de “malas” que buscam seu quinhão.
Vamos imaginar que mesmo no meio dessa balbúrdia, no meio desse desafio louco, apareça um atleta, que se sobressaia, um acima da média, um jogador de futebol habilidoso, com visão de jogo, com domínio da bola, dedicado e determinado, e raro para os padrões atuais, afirmo sem medo de errar, ele será negociado, para o exterior, a bom preço, sem qualquer possibilidade de ficar no seu clube, nem mesmo no seu país.
E a culpa disso tudo….imagino que seja do técnico, ou quem sabe do árbitro de futebol, por que sempre alguém paga o pato! E os dirigentes, negam o fato!
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