Menos de Um Mês Antes de Deixar a França: O Ouro da Sophia

Jamais imaginaríamos que, a menos de um mês de deixarmos a França, receberíamos um presente tão inesperado. Sophia acaba de vencer o campeonato nacional de ginástica, competindo contra aproximadamente 63 atletas da sua idade.

Pois bem, tudo começou quando ela decidiu fazer ginástica para passar o tempo na escola. Ela começou a treinar, a fazer exercícios em casa e, quando menos esperamos, disse que gostaria de participar do torneio municipal.

Foi então que veio o susto. Ela se machucou e precisou engessar o braço. As chances de participar da competição se tornaram muito reduzidas. Além disso, mesmo que o gesso fosse retirado a tempo, seria necessário aguardar uma recuperação gradual dos músculos e dos movimentos. Não havia qualquer possibilidade de forçar o braço.

Mais uma vez, de forma inesperada, ela retirou o gesso. Sem fazer esforços e diante de opiniões médicas divergentes — uma dizendo que ela poderia competir e outra recomendando que não competisse — ficamos divididos. Até que ela nos disse:

— Papai e mamãe, nós vamos embora da França. Eu gostaria de competir.

Confesso que ficamos assustados e preocupados.

Ela descansou e praticamente não pôde treinar. Então veio a primeira surpresa: venceu a competição municipal.

A etapa seguinte seria a competição regional. Já havíamos conversado com ela sobre como seria mais difícil e repetíamos que já estávamos orgulhosos apenas pelo fato de ela ter conseguido competir antes da nossa partida da França. Sua recuperação já era, por si só, uma vitória silenciosa, sem plateia, sem medalhas e sem adversários.

Chegou então a competição regional.

Viajamos até a linda cidade de Annecy, uma das mais belas cidades francesas. Sophia estava indo muito bem até que, em um dos saltos, perdeu o equilíbrio e caiu.

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No olhar da sua técnica havia frustração. No olhar da Sophia, susto. Eu e Johnna apenas observávamos, já profundamente orgulhosos dela, independentemente do resultado.

Mas a surpresa veio novamente no final.

Apesar da queda, os outros exercícios — especialmente o solo e a barra — receberam notas tão altas que ela venceu mais uma vez e conquistou outra medalha de ouro.

A última competição aconteceria em meio às mudanças, às malas e à transição da nossa partida de Lyon. Faltam menos de um mês para deixarmos a França quando paramos tudo e seguimos para Estrasburgo.

Sophia já havia viajado com sua escola e equipe. Nós chegamos ao ginásio e encontramos uma competição com centenas de jovens atletas. Era uma verdadeira festa do esporte. Um ambiente bonito, vibrante e cheio de expectativa.

Mais uma vez, havíamos dito a ela o quanto estávamos orgulhosos, independentemente do resultado. A quantidade de atletas e o nível técnico eram impressionantes.

Finalmente chegou o dia da competição.

Chamaram seu nome.

Primeiro veio a barra. Ela tirou nota dez.

Excelente.

Enquanto as amigas gritavam seu nome das arquibancadas, eu percebia algo curioso. Entre todas as atletas, ela parecia ser a única que levantava o braço para agradecer ao público. Era também a única que, enquanto a música tocava, balançava a cabeça acompanhando o ritmo.

Por maior que fosse a pressão, ela estava lidando muito bem com a tensão.

A segunda prova foi o salto.

Talvez o momento de maior nervosismo para todos nós. Era exatamente a prova em que ela havia caído na competição de Annecy.

Ela fez o primeiro salto. Foi ótimo.

Veio o segundo.

Também muito bom, ainda que não perfeito. Então apareceu a nota: 9,3.

Excelente.

O solo seria a última prova. Ela entrou, executou sua apresentação, dançou junto com a música e recebeu um ótimo 9,4. Ao final, sua técnica me disse que precisaríamos aguardar. Afinal, estávamos falando de mais de sessenta atletas.

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Eu imaginava que ela pudesse terminar entre as três primeiras. Mais tarde, ela mesma me disse que acreditava que talvez ficasse entre as cinco melhores. Mas a surpresa final ainda estava por vir.

Seu nome foi chamado.

Sophia havia se tornado campeã nacional da França em sua categoria e faixa etária.

Uma alegria imensa. Uma alegria que agora faz parte destes últimos capítulos da nossa história em um país que nos proporcionou tantas experiências e do qual guardaremos memórias eternas. A conquista da Sophia, assim como sua jornada de superação, disciplina, coragem e resiliência, fará parte dessas lembranças para sempre.

E, de alguma forma, também nos anima a seguir para os próximos capítulos da nossa jornada.

Fábio

Collonges-au-Mont-d’Or

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