Em breve completaremos dois anos ininterruptos de Crônicas Esportivas.
Durante esse período, todos os domingos nos encontramos através das palavras para conversar sobre futebol, mas também sobre a vida, sobre lembranças e sobre o tempo que insiste em correr mais depressa do que gostaríamos.
Foram quase cem encontros semanais.
Em cada um deles houve espaço para os resultados dos jogos, para as alegrias das vitórias, para as dores das derrotas e, principalmente, para uma boa dose de saudade.
Afinal, falar de futebol é também revisitar épocas que permanecem vivas na memória de quem aprendeu a amar o esporte muito antes da chegada das câmeras em todos os ângulos, das linhas digitais e das intermináveis revisões do VAR.
Era um futebol diferente. Os estádios exibiam gramados de verdade, marcados pelas chuteiras e pelas batalhas de noventa minutos.
O árbitro, e desse personagem especial, acho que eu entendo um pouco, carregava sozinho a responsabilidade de suas decisões, acertando e errando sob o julgamento das arquibancadas.
Os clubes eram medidos muito mais pela grandeza de suas histórias, pela tradição de suas camisas e pelas conquistas acumuladas ao longo das décadas do que pelo tamanho de suas contas bancárias.

Talvez a memória saudosa enfeite um pouco o passado. É possível.
Mas havia algo especial naquele futebol.
Havia rivalidade intensa, provocações que atravessavam a semana inteira e disputas acirradas dentro das quatro linhas.
Ao mesmo tempo, existia um respeito que transformava adversários em companheiros de profissão.
O drible era arte, a camisa tinha peso e a amizade sobrevivia ao apito final.
Foi nesse cenário que alguns atletas construíram legados eternos.
Entre eles o grande Leivinha! Dono de talento raro, habilidade refinada e uma humildade ainda maior que seus feitos em campo, ele escreveu seu nome na história do futebol brasileiro sem jamais precisar de gestos grandiosos para chamar atenção.
Sua trajetória permanecerá como exemplo de dedicação, caráter e amor ao esporte. E bom humor.
Em uma das primeiras crônicas que escrevi, tive a oportunidade de recordar seu talento e sua simplicidade.
Hoje, sentindo sua partida, permanece a sensação de que certos jogadores não deixam apenas estatísticas ou troféus. Deixam inspiração. Deixam lembranças. Deixam histórias que continuam sendo contadas muito depois do último apito.


E o futebol segue seu caminho. Falta apenas uma semana e oito partidas para celebrarmos mais uma Copa do Mundo. Em breve, milhões de torcedores estarão diante das telas acompanhando seleções vindas dos mais diversos cantos do planeta.
Algumas chegarão como favoritas, carregando o peso da tradição e a responsabilidade da conquista.
Outras talvez não tenham forças para levantar a taça, mas encontrarão no torneio a oportunidade de apresentar seus talentos ao mundo e escrever os primeiros capítulos de um futuro promissor.
A Copa do Mundo continua sendo a maior sala de aula do futebol. Ali se encontram diferentes culturas, estilos de jogo, estratégias e sonhos. Cada partida ensina algo novo. Cada seleção carrega consigo a esperança de um povo inteiro.
Nesse cenário aparece também a Seleção Brasileira. Seu início de trajetória esteve longe de inspirar confiança. Houve momentos de desorganização, escolhas questionáveis e um comando que não conseguiu apresentar o futebol que a torcida esperava. O pessimismo encontrou espaço entre muitos brasileiros. Mas a história do esporte ensina uma lição que jamais deveria ser esquecida: nenhuma camisa conquista respeito apenas pelo passado, mas nenhuma delas grande ou pequena deverá ser
subestimada por causa de um começo difícil.


Se houver união, empenho coletivo, disciplina e a velha capacidade brasileira de transformar dificuldades em superação, o caminho pode ser muito maior do que muitos imaginam.
O futebol já provou inúmeras vezes que os favoritos nem sempre chegam ao último jogo, e que aqueles que aprendem a crescer durante a competição costumam surpreender.
Enquanto a bola não rola, resta-nos celebrar. Celebrar mais um capítulo das nossas Crônicas Esportivas. Celebrar a memória dos grandes atletas que ajudaram a construir a história do futebol. Celebrar a chegada de uma nova Copa do Mundo.
E, acima de tudo, celebrar essa paixão que atravessa gerações, muda de forma, incorpora tecnologias, cria novas regras, mas continua despertando nos torcedores a mesma emoção de sempre.
E ao Leivinha….Descanse em paz!
Seu exemplo será preservado e sempre um estímulo!
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