Bom dia meus queridos amigos,
Vocês já experimentaram alguma situação onde a solução veio do inimaginável?
Vocês já viveram algum contexto onde o menos provável tomou conta do processo e não há como explicar do ponto de vista humano e lógico?
Pois bem, eu tenho muitas dessas histórias, e sempre conto para as minhas filhas. Algumas delas, a Johnna é testemunha ocular e está presente como prova incontestável. Aliás, eu acho engraçadíssimo quando a Johnna me ouve e diz:
— Se eu não te conhecesse bem, eu diria que você está inventando essas histórias…Algumas pessoas podem dizer:
— Foi uma coincidência, Fábio.
Outras poderão chamar de:
— É simplesmente fruto do acaso.
Alguém poderá ainda se referir como algo que “nem cheira, nem fede”, como se diz em português, porque muita gente com quem encontro e converso está tão anestesiada com respeito à vida, que já não se impressiona com nada. Tudo e nada se tornaram sinônimos.

Todavia, a gente interpreta a vida com as lentes que quer usar.
A gente lê a vida com um olhar que pode nos encher de gratidão, perplexidade que transcende o espaço e o tempo, com um sorriso cheio de ternura sem tentar explicar nada. Ou podemos fazer leituras da vida que não nos falem de nada.
Eu vejo gente que se encontra diante de uma natureza digna do Jardim do Éden e não significa nada para eles.
Eu vejo gente que passa ano e entra ano, reunião familiar, aniversários, datas celebrativas, e todos os dias se tornam comuns e sem significado. É como se fosse mais um dia.
Eu espero, de todo o meu coração, que você deixe de chamar o que é extraordinário de uma mera ocasião ordinária. Eu espero, de todo o meu coração, que a cada encontro, conversa, abraço, você ponha as lentes do bem, da alegria indizível, e de tudo aquilo que é inominável do ponto de vista lógico. Que você simplesmente guarde no teu coração e pondere com um silêncio cheio de gratidão.


Agora, a história…
Eu e o meu amigo Márcio estávamos na Nova Zelândia há poucas semanas. Havíamos comprado um passe de ônibus para ir do aeroporto de Queenstown até a cidade. Usamos o passe uma vez, mas na maioria das vezes usávamos Uber ou caminhávamos.
Pois bem, quando fomos para Dunedin visitar o centro de pesquisa onde se encontram os pinguins azuis, percebemos que, se pegássemos um Uber, nos custaria 120 dólares para ir e 120 dólares para voltar. Isso era infinitamente mais caro do que os voos entre cidades como Auckland, Queenstown e Wellington, que fizemos por apenas 40 dólares. No entanto, o ônibus local nos deixaria próximo ao centro de pesquisa por apenas 2 dólares de ida e 2 dólares de volta.


Ora, quando nos demos conta, nosso passe de ônibus não tinha mais crédito. Fomos procurar um local para recarregar e não encontramos, pois era necessário pagar em dinheiro. E, convenhamos, hoje em dia quem é que carrega dinheiro? Tudo é cartão de crédito. Hoje, a maioria dos cartões nem são mais físicos; estão no aparelho de celular.
Fomos a uma lojinha e dissemos que compraríamos uma água, um lanche, e perguntamos se ela nos daria troco se pagássemos com cartão. Ela respondeu:
— Não posso fazer isso, pois vocês não têm cartão de débito neozelandês.


O Márcio correu até o caixa eletrônico para tentar sacar dinheiro. A atendente foi muito agradável e disse que havia um caixa eletrônico ali perto. O Márcio correu e, quando voltou, me disse:
— Não tenho boas notícias. A máquina não aceitou meu cartão para retirar dinheiro…
Faltavam 5 minutos para o ônibus chegar. Não havia solução. Gastaríamos 240 dólares para um trajeto que custava, no total, 8 dólares.
O Márcio tentou fazer a compra online. Ele é um cara esperto, da área de tecnologia — equívocos quase não fazem parte do seu vocabulário quando o assunto é computador. Mas ainda assim, o que aconteceu? Ele errou o próprio e-mail ao digitar. Era o fim!


Já não tínhamos mais nenhuma esperança, quando, subitamente, uma senhora se aproximou e perguntou:
— O que está acontecendo?
Ela olhou para nós, interessada em ajudar.
— Queremos ir ao centro de pesquisa para ver os pinguins, mas não conseguimos recarregar o nosso passe de ônibus, porque não aceitam cartão — falamos, já com ar de desespero, porque o ônibus estava prestes a chegar.
— Quanto vocês precisam? — ela perguntou, com um olhar cheio de boa vontade.
— Quatro dólares! — respondemos.


Ela abriu a bolsa e disse:
— Acabei de encontrar cinco dólares no chão. Toma, é para vocês.
Ficamos chocados. Perplexos. Ela disse que tinha acabado de encontrar no chão exatamente o valor que precisávamos. Ninguém começa uma conversa com estranhos num país como a Nova Zelândia — especialmente numa cidade como Dunedin, que está perdida no fim da ilha.
A história não termina aqui. A surpresa maior foi quando entramos no ônibus e ela fez uma pergunta ao motorista. O motorista respondeu:
— Senhora, este não é o teu ônibus. O teu ponto é o mais adiante, e o teu ônibus é outro.
Eu e o Márcio nos entreolhamos e não conseguimos falar nada. Pensamos a mesma coisa: essa senhora estava no ponto errado, esperando o ônibus errado, pegando o ônibus errado — mas no lugar certo, na hora certa, no ponto certo — simplesmente para nos dar o que precisávamos.
Obviamente, não é pelo valor de cinco dólares. Claro que o nosso prejuízo seria alto se pegássemos o Uber. Mas é pela inexplicabilidade de uma arquitetura que não se explica do ponto de vista lógico e racional. Apenas recebemos com gratidão, olhando para o alto e abrindo um sorriso — porque nas coisas mínimas podemos pôr as lentes da interferência divina, ou no mínimo, do transcendente.
Ah! Talvez você me pergunte: e como vocês voltaram para a cidade?
É verdade, a história ainda não acabou. O guia do centro de pesquisas, já muito tarde e sem luz pois é outono na Nova Zelândia e o sol se põe por volta das 5 da tarde, nos disse que nos levaria até o começo da ilha para pegarmos um Uber. Mas, na verdade, ele nos levou até o hotel. E fez com que o nosso dia também terminasse com essa generosidade inesperada.
Assim, a nossa viagem — que estava no último dia — guardou lembranças eternas e nos ensinou que ainda é possível ver a vida com lentes da inexplicabilidade, quando olhamos para seres humanos que podem ser, na realidade, anjos vestidos de homens e mulheres.
Uma boa semana a todos vocês.
Fábio
Collonges-au-Mont-d’Or
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Respostas de 6
Uma historia liiiinda que jamais esquecerei! Demos gargalhadas de gratidao naquele dia !
E na conversa com o guia turistico perguntei qual o peixe da regiao e ele respondeu Blue Cod… fomos tirar fotos da estacao de trem depois e o q nos deparamos ? Uma placa de restaurante com “freshly caught Blue Cod” !
Alias a conversa de quase 1hr com esse guia turistico foi valiosissima e super interessante ! Falamos sobre colonizacao, esporte, cultura, ovelhas, cerveja local, etc…
Que dia !!!!
Eu reconheço sim um cuidado e carinho de Deus nos minimum detalhes !
Abraços meu amigo !
Que história sensacional! Realmente humanamente inexplicável
Belo registro!
Abraços pelos aniversários, Léa
Fábio e Márcio!
O nosso bom e poderoso Deus caprichou nos presentes de aniversário, hein!?
Que ele continue presenteiando diariamente suas vidas com alegria, saúde e esperança!
Grande abraço!
Ezmael Junior
Olá Fábio! Amo ver os detalhes do cuidado de Deus sobre as nossas vidas e, tb encontro tantas “inexplicabilidades” no meu caminhar! “Enxergue o Senhor no seu caminhar” Me vejo sempre olhando para trás e agradecendo o Seu cuidado!
Me lembro sempre, de seu trabalho, comigo, na Comgas e como Deus usou aquela situação para que vc conseguisse exatamente o que precisava para iniciar a sua caminhada missionária, vc iria para o Canadá. À medida que vc evoluia nos treinamentos, a sua remuneração ia aumentando, sem que isso tivesse sido planejado previamente – e ao final, ao fazer a conta dos honorários, vc recebeu o que precisava para completar o pagamento da viagem. Deus é bom o tempo todo!
Um abraço a vc, a Johana e as meninas! Que história linda Deus escreve através de suas vidas! Nunca deixe de compartilhar!
Querido amigo, que história inspiradora! Sei bem como são essas histórias … Inexplicavelmente, a mão de Deus agindo sobre os SEUS💎🙌🏼. Como me disseram essa semana:”Coloque o pé e Deus lhe dará o chão.” Um abraço.
Tenho muitas histórias assim e sei exatamente como se sentiu mano. Esse cuidado que percebemos de Deus gera uma gratidão e uma confiança inexplicável. Deus é bom e sua bondade nos cerca por todos os lados!