Um Centímetro de Bondade, Um Milímetro de Alegria

Créditos: Gemini

Olá meus queridos amigos,

Duas vezes ao mês nos encontramos em um dos Cafés da cidade de Lyon para praticar o que chamamos de exercícios espirituais: conversamos, partilhamos o nosso caminho de perdão, generosidade e hospitalidade, mas também falamos das nossas sombras e medos. Cada conversa é um momento sagrado, que guardamos em silêncio e oração por cada um dos participantes.

Pois bem, chamou-me a atenção uma jovem que sempre vem de outra cidade. Ela viaja basicamente uma hora de trem e, depois, nos encontra em Lyon para participar.

Neste fim de semana, quando chegou a sua vez de compartilhar, ela disse:

Olha, eu quero contar uma experiência que acabo de ter. Cheguei na estação de trem, um lugar desconhecido, mas vi que o dia estava muito agradável. Estava um pouco perdida, sem saber onde pegar o metrô. Ao ver uma garota ao meu lado, perguntei se ela sabia onde era. Ela também não sabia, e começamos a caminhar juntas. Eu disse que o céu estava lindo, a temperatura agradável, e que achava aquela região ainda mais bonita do que outra parte da cidade onde costumo pegar o trem. Para a minha surpresa, no entanto, ela começou a reclamar. Reclamava de tudo o que eu havia dito que era positivo e agradável. Finalmente, encontramos alguém que nos disse onde ficava o metrô. No entanto, percebemos que estávamos indo na direção errada. Eu, feliz da vida, disse que enfim poderíamos caminhar até a estação. Mas a garota, mais uma vez, só reclamava, dizendo que deveríamos voltar por todo o caminho já percorrido, e que estava cansada de tudo aquilo.

A conclusão da nossa amiga foi clara: a outra garota, vivendo a mesma circunstância, debaixo do mesmo céu e encontrando as mesmas pessoas, não foi capaz de enxergar um centímetro de bondade, um milímetro de alegria e gratidão, um minuto de prazer, um segundo de quietude — tudo sufocado pela murmuração constante. Ela própria, no entanto, apesar de atravessar muitas dificuldades, acordara cheia de gratidão, esperança, alegria e vontade de viver.

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E talvez você me pergunte: Fábio, o que isso tem a ver comigo?

Ora, a mesma jovem que compartilhou essa história contou que havia assistido recentemente ao filme de Pollyanna Whittier. Você já ouviu falar da Pollyanna? Pois bem, Pollyanna era uma menina que perdeu a mãe muito cedo e, depois, também o pai, um pastor. Órfã, foi morar com uma tia muito rica, todavia severa e mal-humorada. Você conhece alguém que está sempre de mau humor? Ou alguém com a síndrome do “oh céus, oh vida, oh azar, como aquele personagem da Hanna-Barbera que só sabe reclamar?

No entanto, apesar de sua orfandade, Pollyanna aprendera com o pai o “jogo do contente” (the glad game). Ou seja: sempre, em qualquer tempo e circunstância, ela buscava e encontrava algo pelo qual ser grata. Um exemplo: quando desejava ganhar uma boneca, mas recebeu um par de muletas, o pai disse que ela podia se alegrar por não precisar usá-las.

O filme se desenvolve nesse contexto: a menina passa a ter uma influência transformadora sobre todos ao seu redor — pessoas amargas, doentes, mal-humoradas, tristes. Com o seu jeito otimista, simples, sincero e resiliente, ela mostra que sempre existe algo de bom na vida, mesmo quando não parece.

Eu conheço pessoas assim, com essa extraordinária capacidade de serem gratas, ainda que as circunstâncias não convidem a tal atitude.

E você? Que tal começar esta semana agradecendo a Deus simplesmente pelo dia que nasceu? Pelo fato de termos aberto os olhos? Pela possibilidade de olhar ao redor e perceber que há pessoas que nos amam, nos acolhem e nos aceitam como somos?

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Uma ótima semana a todos vocês. Até a próxima!

Fábio

Collonges au Mont D’Or

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Respostas de 2

    1. Olá Mirian,
      Obrigado por passar pelo Portal do Andreoli e deixar o teu comentário.
      Que haja sempre em nós a gratidão nos pequenos detalhes da vida como você escreveu.
      Um forte abraço. Até a próxima!
      Fábio

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