A desesperança dos jovens

Adolescentes que sentem uma maior sensação de desesperança apresentam um risco aumentado de suicídio.

 Sinais de alerta

Sintomas como humor deprimido persistente, perda de energia, irritabilidade excessiva, isolamento social e queda no rendimento escolar indicam sofrimento psíquico grave.
Mudanças de humor comuns da idade podem mascarar quadros depressivos, tornando essencial a atenção familiar quando os sinais duram mais de duas semanas.
Há uma conjunção de fatores relacionados ao comportamento suicida na juventude. Alguns fatores que se destacam são os sentimentos de tristeza, desesperança e a depressão, ansiedade, baixa autoestima, experiências adversas pregressas, como abusos físicos e sexuais pelos pais ou outras pessoas próximas, falta de amigos e suporte de parentes, exposição à violência e discriminação no ambiente escolar e o uso de substâncias psicoativas”,
Quarenta por cento dos estudantes do ensino médio relataram ter experimentado sentimentos persistentes de tristeza ou desesperança em 2023, de acordo com a Pesquisa de Comportamento de Risco Juvenil dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
Suicídio é assunto tabu. Em geral, a sociedade não aceita a ideia de que é possível alguém querer se matar. Essa atitude não corresponde aos fatos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), suicídio é um grave problema de saúde pública, que muitos governos preferem ignorar. Nesses casos, mortes por suicídio permanecem sem prevenção adequada e tratamento eficaz. No Brasil, 25 pessoas se matam por dia – nosso país é o 11º colocado no ranking mundial de suicídios (OMS). Dessas 25 pessoas, duas são crianças e adolescentes. Pesquisas recentes indicam aumentos preocupantes nas tentativas de suicídio entre os mais jovens, especialmente no universo dos 8 aos 17 anos. Até 8 anos, ferimentos e mortes autoprovocados são automaticamente classificados como acidentes. Esses números deixam uma interrogação dolorosa: por que crianças e adolescentes tentam se matar?
Para especialistas, os principais motivos são a depressão, o abuso de drogas e álcool e o bullying, intensificado no ambiente escolar. Frequentemente, uma autoestima baixa participa das tentativas de suicídio. Por isso, a grande influência das redes sociais no cotidiano contemporâneo merece avaliações cuidadosas. Um ponto importante é a impressão de que, no mundo virtual, todos estão felizes com a vida que vivem. Essa felicidade, que parece obrigatória, pode contribuir para aumentar a angústia dos adolescentes e nutrir ideias suicidas. No entanto, raramente familiares e educadores estão conscientes dos riscos de suicídio e da sua prevenção. A preocupação cautelosa tende a ser reativa – segue o medo instalado quando os mais novos se matam.

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