Conflitos familiares

A família é caracterizada por ser o primeiro grupo social no qual o indivíduo é inserido e, é nesse ambiente familiar que se inicia o desenvolvimento cognitivo e emocional de cada um de seus membros. Desse modo, a dinâmica familiar, que passa por diversas fases e ciclos, influenciará de forma positiva ou negativa os seus integrantes, a partir de fatores econômicos, sociais, cognitivos, entre outros.

A família tem sua importância na sociedade e a existência de conflitos dentro das relações presentes no núcleo familiar pode impactar a formação do indivíduo como um todo. O estudo sobre a família e os modelos de relações conjugais no mundo contemporâneo se torna fundamental, para a compreensão das mudanças ocorridas nas últimas décadas e de suas implicações para o desenvolvimento e amadurecimento dos indivíduos nos contextos familiares atuais.

RELAÇÕES FAMILIARES

O núcleo familiar realiza o papel de mediação entre a criança e a sociedade, sendo, portanto, o meio básico pelo qual a criança começa a estabelecer suas relações com o mundo. A parentalidade vai além da influência dos pais sobre os filhos e se configura como uma mescla de procedimentos inter-relacionados, os quais tem início com o nascimento da criança. Ou seja, os pais influenciam e são influenciados pelos filhos.
Atualmente, famílias são formadas a partir de diversos contextos e a forma como esse núcleo familiar se desenvolve e se relaciona afeta uns aos outros. Por ser a família considerada o primeiro e mais importante ambiente para o desenvolvimento humano, entende-se a importância de fomentar a qualidade das relações familiares e, dessa forma, permitir que os membros da família se sintam seguros, acolhidos e felizes.
A qualidade do funcionamento familiar afeta diretamente a vida dos filhos, incluindo o desenvolvimento escolar e a autoestima, dessa maneira, quando a família possui um relacionamento saudável, há possibilidade de construção de sentimentos de competência e de valor, os quais são determinantes para o desenvolvimento de uma autoestima positiva.

OS CONFLITOS FAMILIARES E AS CONSEQUÊNCIAS EMOCIONAIS

Há uma crescente preocupação com a forma que os conflitos familiares podem afetar a saúde emocional das pessoas e, também, a forma que o diálogo é estabelecido ou a falta dele contribui em grande parte para o aumento dos conflitos dentro dos relacionamentos.
Além disso, é importante notar que as análises sobre os processos relacionais familiares assinalam uma associação entre o conflito conjugal e a presença de adversidades no contexto familiar com diversos comprometimentos no desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes.
Um exemplo de situação geradora de problemas emocionais e psicológicos é o caso de a criança observar atitudes de desprezo de algum dos genitores para com o outro, o qual rebaixa o companheiro (a) diante dos filhos. Tal situação prejudicará a ideia que a criança fará do papel da mulher ou do homem e terá como possíveis consequências a revolta ou uma profunda insatisfação com o próprio sexo ou com o sexo oposto.
Os conflitos familiares interferem na saúde emocional do indivíduo e, considerando a sobrecarga dos transtornos mentais para a sociedade, o lema “Não há saúde sem saúde mental” é defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e autores vinculados ao campo da Saúde Mental Global, os quais reivindicam o aumento do acesso aos serviços de saúde mental.
Quando, porventura, os conflitos familiares não são solucionados, poderá haver, como consequência, o distanciamento emocional da família, produzindo uma disfunção psicológica tanto dos pais quanto dos filhos. Nesse contexto, a resiliência e a elaboração da situação conflituosa, para que haja entendimento e transformação do mesmo em oportunidade de aprimorar a qualidade dos relacionamentos, são fundamentais, pois possibilita o enfrentamento e a superação os impactos emocionais negativos relacionados aos conflitos familiares.
Tendo em vista que a presença de tensões familiares afeta a autoestima, a capacidade de lidar com outras situações de vida, causam deterioração das relações interpessoais e, às vezes, provocam o isolamento social. Uma comunicação aberta e a busca por resoluções pacíficas dos conflitos podem contribuir para o bem-estar emocional de todos os membros das famílias e promover um ambiente familiar mais harmônico, onde o indivíduo terá melhores condições socioemocionais para enfrentar os desafios inerentes ao percurso de suas vidas.
Considerando o ônus do adoecimento mental para a sociedade, é de fundamental importância que seja disponibilizado, de forma ampla, o acesso aos serviços de saúde mental à população como um todo.

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