Do Preconceito Ao Orgulho

Desde os tempos em que as arquibancadas tremiam com o grito de “Urubu! Urubu!”, o apelido usado para ofender torcedores do Flamengo carregava camadas de preconceito. Uma forma estúpida de ostentar a indiferença da classe abastada contra a classe mais simples insinuando inferioridade, pobreza ou marginalidade.
Mas em 1º de junho de 1969, algo mudou. E mudou significativamente. Torcedores do Flamengo resolveram transformar o insulto em símbolo de resistência: capturaram um urubu num lixão, e o levaram oculto ao estádio, e soltaram próximo à hora do clássico, e assistiram a ave planar sobre o gramado. Naquela mesma partida, o Flamengo venceu por 2 a 1.
A torcida ovacionou, e o “urubu” deixou de ser xingamento para tornar-se mascote, amuleto, bandeira de orgulho.
Desde então, aquele símbolo improvável ganhou vida própria. O urubu, antes, símbolo de forte preconceito passou a ser uma vitória de superação, mostrando que, no futebol e na vida, identidade se constrói com coragem, atitude e dignidade.


Hoje, quando você ouve “É urubu!”, não é só um grito de torcida — é um eco de resistência, de história virada de cabeça pra cima, de quem transforma dor em glória.
O Flamengo, com sua legião de torcedores, sua mística, seus clássicos e seus ídolos, carrega nas costas mais do que vitórias: carrega séculos de lutas, de lutas contra o menosprezo — e a ave de plumagem negra tornou-se símbolo de que classe social, origem humilde, cor de pele não definem valor e integridade.
Nessa semana o Flamengo ganhou dois Títulos de Grande Importância e foi manchete de jornais no mundo todo, por suas escolhas e conquistas, elenco de qualidade e um treinador determinado e completamente apaixonado pelo Flamengo.
Mas o esporte, futebol é uma caixa de surpresas e sempre nos reserva algo especial.
O que dizer do Mirassol?
Mirassol — o Leão que rugiu e acordou o Brasil

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E se o urubu mostrou que símbolo se reinventa, o Mirassol provou que time de poucos recursos financeiros, sem tanta badalação, e oriundo de cidade modesta, pode sim fazer história. E que história!
Fundado em 9 de novembro de 1925, o Mirassol FC sobreviveu décadas de anonimato, jogos amadores, campeonatos modestos.
Mas a virada é recente e impressionante. A partir dos anos 2000, com gestão séria, investimento em estrutura e convicção, o “Leão Caipira” apareceu com força.
Em 2020 conquistou a Série D, em 2022 a Série C, e rapidamente subiu as divisões.
Em 2025, no ano de seu centenário, alcançou pela primeira vez a elite do futebol brasileiro, a Série A — e não parou por aí.
O clube modernizou seu estádio, reformou o CT, investiu em base e em profissionais, e mostrou que sonho, planejamento, compromisso, seriedade e identidade podem sim derrubar muros, e construir uma caminhada de impressionantes resultados, desses que colocam o Mirassol na Libertadores da América, para representar o Brasil. O clube despertou o respeito de quem assiste e encantou até o mais descrente. O Leão rugiu alto, fez barulho, e nos lembrou de que, às vezes, de quem menos esperamos é o que mais nos surpreende.


Na decisão da Libertadores, muitos torcedores viram com certo desdém o resultado, na falsa ilusão que decisão merece um jogo de capa de revista.
Decisão é decisão e hora de colocar tudo na mesa, entregar o seu melhor, como dizem os sábios…”sangue nos olhos e faca nos dentes” e o bonito fica para depois, no festejar com a Taça na Mão.
O Palmeiras jogou para cumprir tabela e o Flamengo para vencer e escrever o nome na história.
Foi muito bom ver, essa reta final do Brasileirão, onde da eventual entrega, passou a crer no irreal passe de mágica e depois culpar tudo com asteriscos…
“Se tem garrafa para vender, mostre o lote”, dê nome aos bois, apresente provas e denuncie, ficar no nível da subjetividade e da ignorância não é de bom tom.
Assim parabenizo ao Flamengo por sua determinação e garra.
E que venham os novos desafios, grandes de atuais campeões e de enormes desafios como o Mirassol que ousou sonhar, arregaçou as mangas e conseguiu colocar o nome entre os grandes por valor próprio e muita bola no pé e fé no coração!

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