Olá queridos leitores!
Nesse período de crônicas esportivas de todos os domingos, um quase ato devocional, completamos dois anos de escrita ininterrupta, (nossa como o tempo passa depressa!) e um sentimento foi predominante em cada frase, em cada parágrafo dedicado: a nossa paixão incondicional pelo Futebol Brasileiro.
E sem exagero, acredito que eu e você, todos nós que amamos o esporte, gostamos de ver o Futebol respeitado, reverenciado, homenageado como deve ser.
No meu caso confesso, desde o jogo de casado contra solteiro, (quem me dera, eu desencalhe. Quem sabe?), minha paixão está nos dribles que mostram garra, na organização tática onde cada jogador é um só, na produção do gol, como se fosse uma obra de arte, ou até aquele bem esquisito, feito de barriga.
Dizem que não existe gol feio, e feio é não fazer gol!
Parece bastante lógico, porque o gol, sim é o grande momento.
Tudo é apenas um grande ato, pura encenação, onde os personagens se enfrentam e mostram sua arte.
Um desses personagens marcantes certamente, reside na memória: Carlos Alberto Parreira.
Um dos maiores arquitetos da história do nosso esporte.
O treinador campeão mundial em 1994, nesse momento, duela mais um dos tantos desafios que já viveu nessa vida.
Desde a rejeição à sua formação de preparador físico até ser oficialmente Técnico da Seleção Brasileira. Com seus métodos pouco convencionais, sua visão futurista e suas expressões em inglês para dar “charme” ao assunto, não agradaram de primeiro momento.
Mas suas palavras rebuscadas lembravam sempre que o jogo é decidido em campo, mas o coração, a determinação, a garra é que escrevem o nome na história.
Mas um visionário é assim.

Carlos Alberto Parreira representa uma geração que entendia que esquemas táticos eram importantes, mas jamais suficientes.
E no seu jeito diferente sabia que uma equipe precisava de alma.
Precisava de propósito.
Precisava entender por que estava entrando em campo.
Talvez por isso sua lembrança e seus conselhos surjam na memória de todos os técnicos que já passaram pela Seleção Brasileira.
E falando em lembrança, conselho, paixão e história, um personagem chega e toma forma, Vozinha!
Quem não conhece pode até estranhar, Vozinha um apelido esquisito, um goleiro que segurou tudo na defesa e nas traves contra o temido Barcelona.
O nome de batismo do Vozinha é Josimar Dias.
E por uma dessas “coisas do destino”, coube ao pai de Vozinha, registrar o filho, e por que não colocar o nome do brasileiro, jogador de futebol, que ele mais admirava na vida?
Assim foi feita a homenagem à Josimar Higino Pereira, o lateral da Seleção Brasileira da Copa de 1986.
Josimar Dias, mais conhecido como Vozinha, não é lateral, mas um goleiro de 40 anos, e no esporte que tanto exige juventude, mostrou que pode sim, ser grande.
Desde pequeno encontrou desafios, e aprendeu a bloquear, a dar dribles e segurar toda e qualquer bronca.


A derrota não pertence ao seu vocabulário e sabe que seu país, precisa ser conhecido no mundo todo, e fez tudo que acumulou nos seus anos de vida.
O Barcelona veio e depois de várias defesas que Vozinha incrivelmente defendeu, o mundo pensou em Cabo Verde. E viu um herói nascer.
Ao vê-lo voar diante das finalizações adversárias, era impossível não associar a um verso do Hino Nacional da República do Congo
“Ergamos nossas frontes, por muito tempo curvadas.”
Não era apenas a história de um país.
Era também a história de um homem.
Era a história de todos aqueles que ouviram que já era tarde demais. Que já passaram da idade. Que o trem partiu. Que a oportunidade acabou.
E que, mesmo assim, continuaram.
No fundo, talvez seja essa a grande beleza desta Copa.
Ela nos lembra que o futebol não pertence exclusivamente aos favoritos.
Não pertence apenas aos ricos.
Não pertence somente aos que possuem centros de treinamento milionários ou contratos astronômicos.
O futebol pertence aos que acreditam.
Aos que persistem.
Aos que continuam correndo quando as pernas pedem descanso.
Aos que continuam sonhando quando o mundo recomenda prudência.
Quando a Copa terminar, alguém levantará a taça.
As fotografias ocuparão capas de jornais.
As medalhas encontrarão seus donos.


Mas existe uma boa chance de que a memória mais duradoura desta competição não esteja relacionada ao campeão.
Talvez ela esteja guardada na imagem de seleções desacreditadas enfrentando gigantes sem medo.
Talvez esteja na lembrança de um Brasil procurando reencontrar a sua essência.
Talvez esteja na silenciosa torcida pela recuperação de Parreira.
Ou talvez permaneça para sempre na figura de Vozinha, aos 40 anos, voando diante do gol como se o tempo tivesse decidido fazer uma pausa apenas para aplaudi-lo.
Porque algumas histórias não precisam de troféus.
Elas já venceram.
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