Eu sempre sonhei em fazer uma viagem internacional por ano.
Não era uma meta escrita em um quadro de visualização, nem um plano detalhado. Era daqueles sonhos que ficam guardados em algum lugar da cabeça, esperando a vida colaborar.
Ano passado, eu e meu marido passamos oito dias em Nova York. Um sonho que eu nem sabia que tinha até realizá-lo. E, como acontece com os melhores destinos, voltei querendo voltar.
Falando em voltar, a viagem internacional deste ano já está com a passagem comprada. E eu só acredito que uma viagem vai realmente acontecer quando esse momento chega.
Enquanto estamos pesquisando datas, comparando preços e imaginando roteiros, tudo ainda parece uma ideia. Quando o cartão aprova a compra e a passagem chega por e-mail, o sonho ganha forma. Confesso que no meu caso, é no PIX mesmo.
Desta vez, porém, junto com a alegria veio outro sentimento: orgulho.
Porque, durante muitos anos, quem organizou e pagou as viagens foi meu marido. Eu ajudava, participava das escolhas, dava opiniões, mas a responsabilidade maior nunca foi minha.
Agora estou vivendo uma experiência diferente.
Não vou revelar o destino ainda, mas posso contar que será uma viagem com a minha filha para um lugar que já conheço e amo. E, pela primeira vez, estou sentindo o peso e a satisfação de assumir uma parte importante desse planejamento.

É engraçado porque a compra da passagem trouxe exatamente dois sentimentos opostos: orgulho e medo. Orgulho por perceber que estou conseguindo realizar algo que sempre quis. E medo porque, de repente, sou a adulta responsável.
Conferi nomes, datas, horários e documentos várias vezes antes de finalizar a compra. Depois virão as próximas etapas: hospedagem, seguro-viagem, orçamento, transporte, passeios e todos aqueles detalhes invisíveis que fazem uma viagem dar certo.
Minha filha acha graça das minhas preocupações. Ela passou sete meses viajando pela Europa e voltou dizendo que quase não usava dinheiro em espécie. Segundo ela, basta usar o cartão.
Para alguém que cresceu viajando com dinheiro vivo escondido na mala, isso ainda parece ficção científica. Aliás, nunca esqueço a expressão de uma amiga quando contei que costumávamos levar dinheiro na mala despachada.
Hoje eu também acho uma loucura. Ainda bem que amadurecemos. Nesta viagem vou embarcar apenas com mala de mão e dinheiro virtual. Ou, pelo menos, vou tentar.
Algumas experiências nos ensinam a planejar melhor. Quando minha filha era pequena, viajamos sem seguro-viagem. Nada grave aconteceu, mas uma simples consulta médica nos custou cerca de 200 euros. Foi uma lição cara.
Desde então, seguro-viagem virou item obrigatório. É o tipo de serviço que a gente compra torcendo para nunca precisar usar.
Na viagem para Nova York, viajei muito mais tranquila com a Real Seguros, sabendo que estava protegida. E já estou planejando fazer o mesmo desta vez.
Outra mudança foi aprender a confiar mais nas ferramentas que facilitam a vida do viajante. Cartões internacionais, contas digitais e soluções que reduzem a necessidade de carregar dinheiro físico me dão uma sensação de segurança que eu não tinha alguns anos atrás. O usado ano passado já está recebendo moeda local, o Wise.
No fundo, percebo que estou aprendendo algo que vai muito além de viajar. Estou aprendendo a confiar mais em mim. Porque comprar a passagem foi importante, mas perceber que sou capaz de planejar, organizar e realizar essa viagem talvez seja ainda mais especial.
O destino eu conto depois. Por enquanto, estou curtindo essa fase gostosa em que o sonho já saiu do papel e começou oficialmente a contagem regressiva.
Então um beijo e até o próximo Check-in da Lau — agora com uma passagem comprada, um frio na barriga e uma lista enorme de coisas para organizar.
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