Laços que o Tempo Não Desfaz: Amizades que atravessam o tempo

Laços que o Tempo Não Desfaz: Amizades que atravessam o tempo

Neste fim de semana vivemos uma experiência agradabilíssima ao receber os nossos amigos Chico e hoje a sua esposa Julia. Foi emocionante ouvir o Chico conversar com os diversos grupos de pessoas que hoje envolvem dezenas de nacionalidades e culturas dos nossos projetos e explicar que nos conhecemos enquanto um projeto similar tinha sido desenvolvido no Japão há um pouco mais de dez anos.

Algumas das atividades do projeto do Japão ainda existem hoje na região de Kanagawa, mas, mais importante do que qualquer atividade, as amizades que carregamos ao longo daquele projeto ainda estão vivas. Um dos exemplos é a nossa amizade com o Chico.

Aliás, ela sobreviveu à distância, a continentes e fusos horários. Depois de termos deixado o Japão, a vida nos levou para outros países, mas sempre estivemos em contato. Lembro-me quando, no Brasil, estávamos no mesmo período visitando as nossas famílias — o Chico saiu de Belo Horizonte e dirigiu até Atibaia para nos encontrar. E mais ainda: recordo-me de quando eu estava estudando em Chicago, e ele, morando em New Jersey, pegou um voo para jantar comigo em um dos restaurantes suecos mais agradáveis da região norte de Chicago. Foi ali, inclusive, que realizamos um jantar com padrinhos do nosso casamento e familiares quando eu e a Johnna nos casamos — e, curiosamente, é na mesma área onde viveremos daqui a poucos meses, praticamente na esquina do apartamento onde estaremos.

A grande ironia é que, dos Estados Unidos, o Chico aceitou uma proposta em Paris, trouxe a Julia — hoje a sua esposa — e, mais uma vez, nos tornamos “vizinhos” por alguns meses. No entanto, a vida novamente nos leva para outro continente.

Ao ouvi-lo contar esses capítulos da nossa história, desses anos e encontros, e ao lembrar do grupo que se reunia em três diferentes cafés da cidade, com dezenas de pessoas nos encontros de inglês e espanhol aos sábados pela manhã, pude tomar a palavra em um dos grupos e dizer: felizes estamos por ver que hoje o projeto cultural em Lyon está se tornando uma associação formal, com presidente, secretaria e tesoureiro.

Fico feliz ao ver o legado que Johnna e eu estamos deixando na cidade. No entanto, se nada disso permanecesse — se não existisse mais nenhum projeto, se não houvesse mais nenhuma atividade — ainda assim, a amizade e o carinho que construímos permaneceriam. Assim como permaneceu o carinho e a amizade com o Chico.

O que eu e você podemos aprender com esta experiência e coluna de hoje?

Não há absolutamente nada mais nobre do que a amizade sincera e honesta. O tempo não apaga. A distância não distancia. A geografia não nos limita.

Um dos conceitos mais belos que carrego da espiritualidade celta é o Anam Cara — o “amigo da alma”. Alguém que caminha ao nosso lado com confiança, com cuidado, com carinho.

E talvez seja isso que permanece, quando tudo o mais muda: geografia, tempo, profissão, etc.
Talvez seja isso que atravessa o tempo, os lugares, os ciclos da vida.

Porque projetos começam e terminam,
cidades vêm e vão,
fases se encerram…

Mas certas amizades —
essas, silenciosamente —
continuam.

Fábio

Collonges au Mont D'Or

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Fábio Muniz

Fábio Muniz

Fábio Muniz, originalmente do Brasil. Ele tem viajado ao redor do mundo nestes últimos 20 anos e acumulado inúmeras experiências multiculturais. Graduado em Administração de Empresa pela Universidade São Judas Tadeu. Possui um Máster em Marketing pela Universidade de Barcelona. Atualmente vive em Lyon, França. Ele é apaixonado pelo estudo das culturas, história e antropologia. Além de ter trabalhado com Marketing e Recursos Humanos, ele também é formado em Acompanhamento Espiritual pela North Park Theological Seminary onde recentemente também iniciou o seu Mestrado em Divindade. Fábio é autor do livro Upside Down Evangelism: How Not to Manipulate People in a Post Modern, Post Christian, Spiritually Alive Globalized World. Ele é casado com Johnna que nasceu nos Estados Unidos. Eles têm duas filhas: Sophia, nascida na Flórida, e Julia, nascida em Yokohama. Atualmente ele e Johnna formam parte da equipe Serve Globally, uma ONG com sede em Chicago, que tem projetos sociais espalhados por quase todo o mundo. Fábio e Johnna trabalham como pontes culturais, utilizam as suas experiências internacionais e através de 6 (seis) idiomas desenvolvem programas de integração cultural e social, seminários e palestras com o objetivo de servir a comunidade francesa, aos estrangeiros, imigrantes e refugiados. E-mail: [email protected] Blog: http://blogs.covchurch.org/fjmeurope/ Projetos: https://www.meetup.com/International-Hangout-and-Language-Exchange/ https://www.meetup.com/Coffee-and-English-at-Starbucks-Gratte-Ciel/ Instagram: @repensando_2017
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2 comentários

  1. Elton Duque Cardoso disse:
    É ótimo ver o trabalho de Deus funcionando e o cuidado que ELE têm com seus obreiros. Que Deus continue dirigindo e sustentando tudo e todos, e continue abençoando o Chico e sua família e você Fábio e sua família.
  2. Simone Mitri disse:
    Formidável👏🏻 vivi uma das experiências mais prazeirosas da minha vida em Lyon com Fábio e sua família. Foram dias de altas doses de conexão, aprendizado histórico (que conhecimento!), acolhimento e do poder curador da amizade. Uma colherada de antidepressivo natural😊🙌🏼 muita gratidão

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