Check-in da Lau: parei de colecionar experiências. Agora quero vivê-las.

Estava pensando em tudo o que aprendi na terapia até agora e cheguei a uma conclusão curiosa: acho que nunca me aprofundei de verdade nas coisas de que gosto.

Eu gosto de futebol. Mas vou pouco ao estádio. Gosto de Fórmula 1. Nunca pesquisei quanto custa um ingresso, quanto menos acompanhar uma temporada inteira. E olha que esse sonho vive aparecendo por aqui.

Vou ao cinema para ver um lançamento, mas quase nunca pesquiso antes sobre o diretor, a fotografia, a trilha sonora ou o contexto da história. Chego para ser surpreendida.

No show do Harry Styles aconteceu exatamente a mesma coisa. Eu sabia que seria bom. Não fazia ideia de que seria inesquecível. Só depois, já em casa, descobri a história dos leques, das músicas-surpresa, da orquestra, dos “String Players”, do carinho que ele demonstra pela banda e de tantos detalhes que tornaram a experiência ainda mais rica.

E fiquei pensando: por que deixo para descobrir tudo depois? Durante muito tempo achei que isso era falta de tempo. Depois pensei que fosse dinheiro. Hoje acredito que seja outra coisa.

Prioridade. Percebi que, muitas vezes, eu apenas passo pelas coisas de que gosto. Consumo. Observo. Me emociono. Mas raramente mergulho nelas.

E investir em um interesse não significa apenas gastar dinheiro. Significa dedicar tempo. Ler mais. Estudar. Chegar mais preparada. Fazer perguntas. Permanecer um pouco mais. Voltar outra vez.

É entender de cafés além do expresso que peço. É visitar uma exposição sabendo um pouco sobre o artista. É conhecer a história de um hotel antes mesmo do check-in. É assistir a uma corrida sabendo quem são os engenheiros, não apenas os pilotos. No fundo, acho que isso também é uma forma de me priorizar.

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Porque, durante muito tempo, investir tempo em mim parecia um luxo. Hoje começo a entender que é um cuidado. Não sei qual será a próxima experiência vivida desse jeito. Mas sinto que ela pode acontecer longe do solo brasileiro. Meu histórico do Google já começa a dar pistas.

Desta vez, não quero apenas conhecer um destino. Quero entender sua história. Quero descobrir por que aquele hotel se tornou um clássico, quem passou por seus corredores, como ele ajudou a contar a história da cidade. Quero chegar sabendo um pouco mais e sair querendo aprender ainda mais.

Talvez esse seja o novo jeito que encontrei de viajar. Ou de fazer as coisas, de modo geral. Menos preocupada em colecionar lugares. Mais interessada em habitá-los.

Percebo agora que esse movimento não começou nesta viagem. Ele vem acontecendo há algum tempo: quando passei um aniversário inteiro na minha própria companhia, quando decidi explorar São Paulo sem roteiro, quando comecei a sonhar novamente com um intercâmbio aos 47 anos. Cada uma dessas experiências tinha algo em comum. Elas não eram sobre o lugar. Eram sobre ocupar um espaço que também é meu.

No fim das contas, acho que também estou voltando às raízes do Checkinsp.

Porque continuo acreditando na mesma coisa que me fez criar esse projeto: hotéis nunca foram apenas um lugar para dormir.

São lugares para viver experiências. E, daqui para frente, quero viver cada uma delas por inteiro.

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