Entre Vulcões e o Éden: Onde a Terra Ainda Canta

Enquanto nos preparamos para servir e compartilhar na Puna Covenant Church, em Hilo, na Ilha Grande do Havaí, sobre nossas experiências em Lyon trabalhando com múltiplas culturas, diversidade, espiritualidade e projetos de desenvolvimento comunitário, temos também o privilégio de conhecer uma parte do planeta que é única e irrepetível.

Entre vulcões, tubos de lava e praias de areia negra, moldadas pelas cinzas das erupções, somos cercados por um verde intenso e por uma impressionante diversidade de climas que mudam em poucos quilômetros. Soma-se a isso uma cultura singular que, embora faça parte dos Estados Unidos, é vista pelos próprios moradores como pertencente a um outro país: o Havaí.

Não é à toa que, todos os dias, às cinco da manhã, fui acordado pelo canto dos galos. Não é à toa que, na primeira noite, ouvi uma chuva tão forte quanto as que marcaram meus anos na Flórida. Também não foi por acaso que, certa noite, achei que havia deixado alguma música tocando no celular. Peguei o aparelho duas vezes para conferir se o YouTube ou o Spotify estavam abertos. Descobri, então, que eram apenas os pequenos sapos conversando entre si na escuridão.

A natureza continua intrigando a humanidade. Como cristão, recebo toda essa experiência com profunda gratidão. Depois de passar a maior parte dos meus dias cercado por cimento, concreto, elevadores e calçadas, reencontrar uma criação tão exuberante é um presente.

A espiritualidade celta sempre me ensinou que a primeira catedral de Deus é a própria natureza. Em um lugar como este, essa afirmação parece inegável. Francisco de Assis também enxergava uma dupla revelação divina: Deus se revela nas Escrituras, mas também através do irmão Sol, da irmã Lua, das estrelas, do barulho do mar que se lança contra as rochas, das cachoeiras e da vida selvagem que colore a criação. No Havaí, essa percepção ganha vida diante dos nossos olhos.

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Aqui, o ritmo da existência é diferente comparado com as grandes cidades. É um ritmo distante da correria, das buzinas, do som constante das máquinas e das motos. Em alguns dias voltarei para Chicago, mas este pequeno pedaço do Éden permanecerá guardado no meu coração.

Levarei comigo não apenas as lembranças das paisagens, mas também o convite silencioso que elas fazem a todos nós: recordar que a criação não nos pertence. Fomos colocados nela como jardineiros, chamados a cuidar, cultivar e preservar este mundo que Deus confiou às nossas mãos. Talvez essa seja uma das maiores lições que um lugar como o Havaí pode nos ensinar.

Fábio

Hilo, Havaí

 

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