Dizem que o tempo passa lentamente…
Mas esse nosso encontro celebra dois anos.
Agradeço aos profissionais que tornam tudo isso possível, como não agradecer à Luiz Andreoli, que acreditou, mesmo quando eu só tremia ao escrever, repleta de emoção e boas memórias?
Obrigada meu amigo!
Agradeço também à equipe que coloca toda essa história de dois anos, prontinha para ser lida e guardada no coração.
Obrigada genial equipe!
Agradeço aos amigos fiéis que me perguntam sobre o que vou escrever à cada semana…e lêem para confirmar se tenho realmente talento rsssss.
Obrigada amigos de longas conversas!
Agradeço ao meu pai Dulcidio Wanderley Boschilia, que colocou minha primeira crônica no ar, através de seu amor ao esporte e me levou bem pequena aos jogos de várzea, onde a história começou a ser escrita!
E para celebrar esse momento, nada melhor que comentar sobre a volta do nosso bom e velho (?) Campeonato Brasileiro, com certos clubes ainda, por descobrir o ritmo e o entrosamento, perdido durante a parada FIFA, e a Copa do Mundo.
Recomeçar não acontece com o apito inicial, existe muita estrutura e programação para acontecer e conseguir chegar ao torcedor.
Somos exigentes e decepcionados pela Seleção Brasileira que precisa ser reformulada e descobrir novos talentos e fazer de tudo para preservar los ainda em solo brasileiro.
O torcedor cobra e está no seu papel, por que estar no Estádio ou Arena é um desafio de logística e de um poder aquistivo, para poucos.
Torcedor exigente, também precisa de tempo, para as mudanças, de técnicos, de atletas, do uso da base na descoberta de novos valores.
Os grandes times da história não nasceram prontos. Foram esculpidos pelo tempo, esse treinador invisível que não aparece nas fotografias das conquistas, mas assina todas elas.
Tudo isso embalado pela velocidade extraordinária possui o tribunal das redes sociais.
Tínhamos paciência, em acompanhar o clube e ver os atletas serem treinados em detalhes que fazem a diferença, o drible, a visão de jogo, a liderança, a identidade com os colegas, o campo, o gramado, a torcida….
Agora, ao menor sinal tudo passa de momento atual brasileiro para um contrato milionário em qualquer parte do mundo.
Existe um exército de agentes, empresários, representantes, família, dirigentes, patrocinadores, investidores querendo o seu quinhão.
Foi assim, num passado não muito distante, com tantos craques e tantos domingos em que Pelé parecia humano. Garrincha errava dribles. Zico desperdiçava faltas. Ademir da Guia caminhava pelo campo como quem ainda conversava com o jogo antes de dominá-lo.
Ninguém era máquina.
E talvez seja exatamente por isso que se tornaram eternos.
O futebol nunca foi bonito por ser perfeito.
Foi bonito porque sempre soube sobreviver às suas imperfeições.
Mas ao bom leitor agradeço imensamente nesses 104 domingos, pela oportunidade de dividir lembranças, opiniões, pequenas histórias e grandes saudades.
Aprendi, durante esse tempo, que uma crônica não termina quando o cronista coloca o ponto final.
Ela continua dentro do leitor.
Talvez seja por isso que tantos escrevem dizendo: “Também me lembro daquele jogo.” Ou: “Meu pai me levava ao estádio.” Ou ainda: “Na minha cidade também existia aquele campo de terra.”
São mensagens simples.
Mas carregam um campeonato inteiro dentro delas.
E quando penso em futebol, inevitavelmente penso naquele homem que um dia caminhou pelos gramados levando apenas um apito, dois cartões e a consciência de que a honestidade também faz parte do espetáculo.
Meu pai.
Foi árbitro.
Não buscava aplausos.

Sabia que, para quem apita, o maior elogio quase sempre é o silêncio depois da partida.
Foi com ele que aprendi, mesmo sem perceber, que o futebol não mora apenas nos gols.
Mora na ética.
Na coragem de decidir.
No respeito.
Na responsabilidade de compreender que um jogo representa muito mais do que noventa minutos.
Talvez seja por isso que nunca consegui olhar apenas para a bola.
Sempre procurei enxergar as pessoas.
Os personagens.
Os gestos.


As histórias escondidas atrás de cada lance.
Escrever sobre futebol tornou-se uma maneira de continuar aquela conversa que o tempo interrompeu apenas na aparência.
Porque existem ausências que permanecem presentes.
Há apitos que nunca deixam de soar.
E há domingos que continuam reunindo pais e filhos, ainda que apenas na memória.
Por isso, hoje, antes de qualquer comentário sobre esquemas táticos, tabelas ou classificações, quero fazer algo muito mais importante.
Quero agradecer.
A cada leitor que abriu espaço em seu domingo para dividir comigo essas linhas.
A quem concordou.
A quem discordou.


A quem recordou um estádio demolido, um craque esquecido, um árbitro injustiçado, um gol improvável ou simplesmente a infância.
Obrigado.
Vocês transformaram esta coluna em muito mais do que um espaço esportivo.
Transformaram-na numa arquibancada onde a memória sempre encontra lugar para sentar.
O futebol muda.
Mudam as chuteiras.
Mudam as bolas.
Mudam as regras.
Mudam os cabelos dos jogadores, os patrocinadores, os estádios e até a maneira de discutir um impedimento.
Mas existe algo que permanece absolutamente invicto.
A capacidade que o futebol possui de nos devolver, por alguns instantes, aquilo que o tempo insistiu em levar.
E talvez seja exatamente esse o verdadeiro resultado de uma partida.
Não o que aparece no placar.
Mas o que permanece no coração quando o juiz encerra o jogo.
No próximo domingo estaremos aqui outra vez.
Porque os campeonatos terminam.
As temporadas passam.
Os craques envelhecem.
Mas uma boa conversa sobre futebol… essa jamais pede substituição.
Muito obrigada a todos os queridos leitores….
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